Marquinho tem conta reprovada na Câmara e dispara contra vereadores: 'covardes e traidores'

Ex-prefeito precisava ter pelo menos 12 votos favoráveis; placar foi de 10 a 7

Publicado em 09/07/2019 às 22:51

RODRIGO CABRAL

Após ter as contas reprovadas ontem na Câmara, sepultando de vez os planos de candidatura no ano que vem, o ex-prefeito Marquinho Mendes (PMDB) disse à Folha que os vereadores que votaram contra ele são “covardes e traidores”. 

– Eles sabem que não conseguem me ganhar no voto. Esses artifícios são covardes. São traidores. Muitos apertaram a minha mão, se comprometeram...  Com a exceção dos que me apoiaram, não merecem o meu respeito – afirmou.

Sete vereadores seguiram o parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que foi contrário à aprovação das contas de 2017, enquanto dez votos foram favoráveis ao ex-prefeito.  

Como a Comissão de Finanças, Orçamento e Alienação seguiu o parecer do TCE, seria necessário que Marquinho obtivesse o apoio de 12 vereadores, ou seja, dois terços dos votos, que foram secretos – o regimento interno prevê tal procedimento para votação das contas de ex-prefeitos.
Entre os problemas encontrados nas contas estão o pedido de créditos adicionais de R$ 5,3 milhões sem que se apontasse a fonte de receita, bem como 29 impropriedades – entre elas, o déficit de mais de R$ 2,2 milhões e o uso de 66% da receita corrente líquida para pagar a folha de pessoal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal. Marquinho já estava impedido de se candidatar por oito anos, por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), no começo de março. 

Com a derrota, o ex-prefeito admite que está fora da disputa no ano que vem. Ele, no entanto, diz que já tem nome “de confiança” que deve receber seu apoio, mas não revela quem é.

– Já que não me querem na disputa e têm medo, vou lançar um candidato e vencer a eleição. Vou governar com essa pessoa. Ela é de minha total confiança. Nunca vai me decepcionar.

Placar surpreende – Ainda que o xadrez político sempre traga surpresas de última hora, o placar de 10 a 7 causou surpresas. Aquiles Barreto (SD), por exemplo, comentou que era esperado um 13 a 4. Ele, no entanto, disse que não participou de articulações.

– Como sou sobrinho do ex-prefeito Marquinho, eu não quis participar [de articulações]. Mas o resultado surpreendeu. Tem que respeitar. Isso faz parte. Ninguém vai ficar revoltado com uma situação possível de acontecer no processo democrático – opinou.

Luís Geraldo (PRB), presidente da Câmara, mais um dos dez  que votaram contra o parecer do TCE, ressalta que se tratava de uma votação difícil.

– Sabíamos que não seria uma votação fácil. Ela envolve múltiplos interesses. Sabemos que o ex-prefeito seria um candidato forte. Acompanhamos as pesquisas, a voz das ruas. E isso faz parte do jogo político. Não sabemos exatamente o porquê do placar. Temos conjecturas. 

Para Letícia Jotta (PSC), as “conversas na última semana” foram cruciais. 

– Acho que o desenrolar de semana, que teve algumas conversas, foi o que acarretou nessa votação.

Na Comissão de Finanças, Orçamento e Alienação, Letícia seguiu o voto do relator Vinicius Corrêa (PP), favorável ao posicionamento do TCE. Ela, no entanto, preferiu não revelar como votou ontem.

– Conversei com colegas, mas, como a votação foi fechada, muitos não quiseram manifestar opinião. Da mesma forma, não quero declarar meu voto.

Já Rafael Peçanha (PDT) avaliou que a Câmara levou em conta os anseios da população.

– Um dos principais anseios populares é a renovação política. Era esperado que a Casa ouvisse a voz do povo. E as ouviu.

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