Bernardo pedirá CPI dos depósitos

Deputado estadual também apoia investigação sobre mortes no Hospital da Mulher

Publicado em 12/02/2019 às 08:54

Eleito com 16.885 votos, o subtenente (reformado) da PM, Mauro Bernardo (Pros) atualmente se divide entre o Rio e Cabo Frio. Já estreou na Assembleia Legislativa, onde diz que atuará a favor de projetos para o povo e não por partidos – inclusive apoiou a iniciativa da deputada do PSOL, Renata Souza, que protocolou na Casa pedido de abertura de CPI para investigar as mortes de bebês no Hospital da Mulher: “Ela é do PSOL, e você acha que eu não vou apoiá-la, se realiza algo útil para o Estado e para a minha cidade? Apoio a Renata, o PSOL, o PT e quem for a favor da população”. 
Bandeira de campanha, os depósitos privados de veículos também estão na mira do deputado. Ontem, por exemplo, ele liderou uma manifestação em frente a um deles, que funciona no Baixo Grande, em São Pedro da Aldeia. Ele confirmou que vai pedir uma CPI para apurar o funcionamento e o faturamento dos depósitos. 

Confira a entrevista:

Folha dos Lagos – Quem diria, deputado estadual...

Mauro Bernardo – Deputado estadual, eleito verdadeiramente pelo povo, gastando apenas mil reais e mostrando que, se o cara faz realmente alguma coisa pela sociedade, ele é reconhecido, que foi o meu caso.

Folha – Como foram os primeiros dias na Alerj?

Bernardo – Nos primeiros dias parecia que eu já era cascudo, pois nessa semana mesmo eu já peguei o microfone, falei e fui aplaudido. Eu discursei sobre o fim das UPPs. Elas já estão falidas. O policial mora em Cabo Frio, arrisca a vida dele e vai até o Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão, um lugar que ele nunca viu na vida, e aí colocam ele lá naquele contêiner como se fosse uma mercadoria. A população das comunidades não quer e não gosta das UPPs. E os deputados concordaram com o que eu falei. Por isso que considero que as UPPs estão com os dias contados, e os policiais de Cabo Frio podem ficar felizes pois devem voltar.

Folha – Como foi o clima lá na Alerj? Você ficou tímido, receoso, com todo aquele ambiente de políticos engravatados?
Bernardo –
Você viu que eu já fui, em toda hipótese, de uniforme de gala da PM, para que as pessoas vejam que quem estava entrando ali era um policial honesto e que não teria colher de chá. Agora estou indo de terno. Mas eu não fiquei com medo, não. Nunca tive medo de bandido, de tiro de fuzil. Vou ter medo de gravata?

Folha – Sentiu-se em casa, então?

Bernardo – Em casa eu não me senti, não. Porque em casa tem cama para dormir e lá eu fiquei só sentado (risos)

Folha – Quais foram suas primeiras medidas como deputado?

Bernardo – Está difícil dizer, porque são muitas. Uma das que eu considero principais é a diminuição do pedágio da ViaLagos. Estou com um projeto de lei. Ele foi aceito, e agora vai tramitar para ver ser votado. Além disso, no projeto também consta a proposta de não pagar mais a taxa extra no fim de semana, além da liberação da cobrança para maiores de 65 anos e deficientes físicos. A outra proposta, que é para Cabo Frio, que já está pronto, não precisa de lei nem de nada, apenas um comunicado para o governador autorizar o IML de Cabo Frio a funcionar. Porque quem não precisa não sabe o que é. Mas, no dia que precisar, vai ver a falta que faz um IML aqui em Cabo Frio. Essa é uma prioridade. A terceira é a minha briga contra os depósitos particulares. Eu não sou contra o cara estar com o carro irregular e ter o carro apreendido.  O que eu sou contra é o fato de os depósitos serem particulares e o policial trabalhar para o empresário. Isso eu não aceito. Por isso, fizemos um protesto na frente do depósito. E daqui para frente vai ser assim. Se não gostarmos de algo, vamos protestar. Na Alerj, vou entrar com um pedido de CPI sobre isso.

Folha – Na semana passada a deputada Renata Souza (PSOL) entrou com pedido de CPI sobre a situação do Hospital da Mulher em Cabo Frio. O que você tem a dizer quanto a isso?

Bernardo – O que eu tenho a dizer sobre isso é que eu estou com raiva dela (risos). Eu já estava com a intenção de entrar com um pedido de CPI em relação a isso e ela entrou na minha frente. E para não ficar de fora, falei com ela que era de Cabo Frio e que não podia aceitar ficar de fora desse processo. Estou satisfeito de estar participando e quero esclarecer que não  tem esse negócio de ser de um partido ou de outro não. Às vezes o político apoia o partido, mas ele tem que lembrar que está ali para apoiar o cidadão. Ela é do PSOL, e você acha que eu não vou apoiá-la, se realiza algo útil para o estado e para a minha cidade? Apoio a Renata, o PSOL, o PT e quem for a favor da população.

Folha – O ano de 2020 está ‘chegando’ e com ele as eleições municipais. Você será candidato a prefeito de Cabo Frio?

Bernardo – Lógico que não! Vou terminar o meu mandato na Alerj. Se fizer um bom mandato e sentir que estou fazendo o que o povo quer, eu venho de novo. Eu acho que, como deputado, você consegue ajudar muito mais do que como prefeito. E acho que, para ser prefeito, é necessária muita experiência.

Folha – Já esteve com os prefeitos da região?

Bernardo – Eu já marquei com meu chefe de gabinete para entrar em contato com o Prefeitura de Cabo Frio para sentar com Adriano e ver o que pode ser feito com o Hospital da Criança. O que eu quero é que o Estado do Rio de Janeiro custeie a metade das obras, a prefeitura a outra metade e nós coloquemos o hospital para funcionar. Temos que ter essa reunião para saber se a prefeitura aceita custear a parte dela, porque não tem condição de o estado bancar toda a obra. Mas é um absurdo aquele hospital estar daquele jeito, fechado. Eu darei prioridade para a Região dos Lagos, apesar de que muitos dos meus projetos de lei serão voltados para todos os municípios do estado.

Folha – Qual avaliação você faz do governo Adriano?

Bernardo – Eu cheguei à seguinte conclusão: vivi 35 anos na Polícia Militar, vi vários prefeitos discutirem o que iriam fazer pela cidade, falarem mal dos outros e acusarem os outros de terem roubado isso e aquilo, e ninguém fazendo nada. Eu não falo mal de ninguém. E vou fazer o meu serviço. Não vou falar mal de prefeito nenhum, de deputado nenhum. O povo vai dizer se estou fazendo certo ou errado. Não posso dizer nada de Adriano porque não estou na pele dele, não estou lá no dia a dia, e sei como é a política.

 

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