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Coluna

Rafael Alvarenga

16 julho 2026 - 12h15

A eliminação da Seleção brasileira na Copa de 2026 não surpreendeu. Há um padrão europeu no futebol moderno. Nele, a obediência tática é a pedra fundamental do jogo. Assim, a surpresa não vem mais à luz ao arrebentar a casca do drible, e sim a do passe, da imposição física na marcação, do esforço de pontas que jogam atrás. Enfim, de um ataque que sabe defender.

Nesse padrão do norte, os desobedientes perdem espaço. Desde as bases na América do Sul e África, meninos e meninas são ensinados a serem jogadores e jogadoras de futebol — produtos — com valor de mercado. 

Aprendem que a obediência tática é o que os levará a uma tão sonhada liga milionária. Só no futebol inglês, somando a Premier League (1ª divisão) e a Championship (2ª divisão), foram 44 brasileiros na temporada 2025/2026. Todos obedecendo às ordens para se manterem vivos, amém!

Contudo, quando chegam a uma Copa, o coletivo de brasileiros, de tão bem treinado nos campos do norte, não inventa mais a partir do drible. Não desobedece com o intuito de desnortear o adversário. O Brasil perdeu para a Noruega porque pisou no gramado para jogar do mesmo jeito que o adversário.

A ordem da comissão foi que Bruno Guimarães cobrasse pênalti, caso houvesse. Mas até quem não vê os jogos chutaria que o batedor deveria ser o Vini Jr. Bem, então por que ele não ficou com a bola, colocou na marca e bateu?

A resposta é estrutural — como tantos problemas nossos —, ele seguiu a ordem. Ele foi obediente. O que nos falta é a desobediência para perverter os padrões do norte, dentro e fora dos campos.