No início do século XX, Albert Einstein propôs que a gravidade — uma força descomunal que não vemos — fazia a luz seguir trajetórias curvas, livrando-a de toda retidão.
Fenômenos físicos e metafísicos acontecem devido a circunstâncias muitas vezes invisíveis à nossa humana percepção.
A Copa do Mundo de futebol de 2026 foi conquistada pela Espanha. Neste mês inteiro, uma entrevista do técnico da seleção uruguaia, El Loco Bielsa, me marcou! Foi um jogo tenso. O Uruguai conseguiu um empate salvador a duras penas. Um alívio temporário, já que ainda não garantia a classificação para a próxima fase.
Então, na beira do campo, ao ser perguntado por uma repórter se o empate teria sido proporcionado pelas substituições, pela mudança do esquema tático ou até pela postura do adversário, ele respondeu que não sabia. E justificou a dúvida dizendo que, em um jogo coletivo, com tantos atletas em campo, muitas coisas capazes de alterar o placar acontecem sem que consigamos percebê-las.
Em 1963, Nelson Rodrigues escreveu que “no futebol, o pior cego é o que só vê a bola.”. O cronista brasileiro acertou. Muita coisa acontece além da bola. Porém, saber disso não nos capacita a enxergar muito longe.
O futebol é muito popular. Condição essa geradora de especialistas aos milhares. Todos sabedores dos motivos exatos que fazem um time ganhar ou perder. Nas ruas por onde ando também é assim: todos sabem a razão que levou aquele ou aquela a fazer o que fizeram.
Torço para que nossas certezas façam mais curvas. Dentro e fora dos gramados.
