No tempo das arenas envelopadas e dos estacionamentos, manter estádios de futebol em bairros populosos ou até próximo dos centros das cidades é um milagre!
A bancarrota é o que leva um clube a vender suas tradicionais dependências e viver o desterro sombrio de um time sem grama própria. Em Campos dos Goytacazes, o Americano perdeu o Godofredo Cruz, seu emblemático estádio às margens da movimentada Avenida 28 de Março em razão de dívidas. O terreno é valioso e as construtoras estendem seus tentáculos sobre a área onde um dia até Zico jogou.
Exemplos de briga judicial sobre o patrimônio correm na Justiça em outras regiões. No Sul fluminense, o Resende só sustenta o Estádio do Trabalhador, localizado em excelente local da cidade — próximo ao Rio Paraíba do Sul — graças à generosa ajuda da Prefeitura e do Sesc.
Aqui em Cabo Frio, o Correão se aguenta alimentado pelo poder público. Na capital carioca, os estádios de Moça Bonita, da Rua Bariri, Conselheiro Galvão e Luso-Brasileiro vivem mal das pernas e bolsos. São processos de penhora, risco de leilão, negociação de dívida e muita dificuldade de sustentar um patrimônio histórico de clubes cujo calendário dura de três a quatro meses.
Esses estádios devem promover eventos esportivos, culturais e sociais nos bairros onde estão. Essa é a única forma de mantê-los. Só eles têm particularidades como a arquibancada torta da Rua Bariri e a rua ao lado do campo no Correão.
Os estádios não inviabilizam as arenas. Então, por que o modo arena está enterrando os estádios?
