quarta, 16 de setembro de 2026
quarta, 16 de setembro de 2026
Cabo Frio
22°C
Cultura

Guilherme Guaral reestreia monólogo "Eu Lírico" para celebrar 40 anos de carreira

Espetáculo lançado em 1999 combina viagem pela literatura nacional e rodas de conversa após as sessões

16 setembro 2026 - 12h39Por Redação

Vinte e sete anos depois da estreia, o espetáculo “Eu Lírico”, de Guilherme Guaral, está de volta aos palcos. Entre os dias 18 e 27 deste mês de setembro o monólogo estará em cartaz no Teatro Quintal (Rua Américo Ferreira da Silva 03, Parque Burle), próximo à UPA de Cabo Frio. Sextas (18 e 25) e sábados (19 e 26) a apresentação será às 20h, e aos domingos (20 e 27), às 19h. Ingressos variam entre R$ 25 e R$ 50 (mais taxas) no site Sympla.

O retorno da temporada tem um motivo especial: comemorar o aniversário de 40 anos de carreira de Guaral, que além de ator, também é autor e diretor de teatro, cinema e televisão. Ganhador do Prêmio Mambembe de Melhor Autor (1998) pelo espetáculo “Conversa de Pescador”, o cabo-friense também marcou presença em várias novelas da Record (Bicho do Mato, Alta Estação e Chamas da Vida) e da Rede Globo (Renascer, A Viagem, O Rei do Gado, Laços de Família, América, Malhação, A Favorita e Avenida Brasil entre outras), além de séries (Presença de Anita, Carga Pesada, A Diarista, Tapas e Beijos) e filmes (Tropa de Elite, Boletim de Ocorrência e Louco Amor).

A reestreia de “Eu Lírico” acontece logo após o ator estrelar uma temporada de sucesso de outro monólogo, “Refinaria”. A peça foi adaptada do livro homônimo de poemas de Rodrigo Cabral, publicado pela Sophia Editora em 2024 e finalista do Prêmio Jabuti de 2025. No palco, Guaral deu vida a um poeta que retornou à cidade natal após anos de ausência. O texto, adaptado pelo ator, reuniu referências à paisagem da Região dos Lagos, à geologia do pré-sal e à cana-de-açúcar de Campos dos Goytacazes, além de citar escritores como Victorino Carriço. Agora, em “Eu Lírico”, Guilherme Guaral vive um outro poeta, que apresenta uma viagem pela literatura e pela história brasileira através de cinco movimentos literários.

– O texto é o mesmo (de 1999) porque ele fala sobre movimentos literários da nossa história. É um professor que vai palestrar, vai falando do período e do movimento literário, e acaba encarnando um personagem, um poeta daquela época. Então tem o barroco, o romantismo, o modernismo, os anos 70 (que a gente vai batizar de tropicalismo) e também os anos 90. É um espetáculo muito atual, continua sendo atual porque ele se refere a esses movimentos literários. As adaptações feitas dizem respeito apenas às questões do que hoje é considerado mais correto. Pensando na perspectiva histórica de que estamos falando de períodos onde essas discussões não estavam colocadas, surgiu a ideia de sempre fazer, ao final do espetáculo, uma roda de conversa para afinar essas questões - explicou em conversa com a Folha.

Guaral também lembrou que a primeira temporada de “Eu Lírico” ficou em cartaz por cerca de sete anos (1999 a 2006), rodando por Cabo Frio e demais cidades da Região dos Lagos além do Rio de Janeiro.

– A sensação de retornar com esse espetáculo é ótima. Tem um ator antigo, chamado Rodolfo Mayer, que sempre que não estava em cartaz, ele apresentava o monólogo “As Mãos de Eurídice”. Eu brinco que “Eu Lírico” seriam as minhas “Mãos de Eurídice”, que é um espetáculo que eu escrevi e que é um monólogo. Quando você tem um elenco muito grande, uma questão que normalmente dificulta é a questão dos ensaios. Mas esse espetáculo é do meu repertório, o repertório de vida… Eu fiquei quase 20 anos sem fazê-lo, então eu fico muito feliz de estar retomando. Espero que ele possa, depois desta temporada em Cabo Frio, ir às demais cidades da Região dos Lagos para levar essa mensagem, essa história, a nossa história, a nossa identidade, a nossa cultura, pra onde for possível, porque o teatro ainda tem essa capacidade de fazer refletir, pensar, se emocionar. Essa é minha felicidade: completando 40 anos de carreira, poder montar esse espetáculo que sempre foi muito especial na minha vida - contou. 

Em “Eu Lírico”, além de ser autor e ator, Guaral também é responsável pela música original do espetáculo (junto com Ivan Tavares e Paulo Furriel) e pela produção executiva. A direção é de Isaac Bernat. Rodrigo Sena é responsável pela assistência de direção e a operação de luz, e João Faria pela operação de som. Cenografia e figurinos são assinados por Maria Clara Pinheiro. A trilha sonora é de Zeca Nader e Medinha. Douglas Lopes assina fotografia e filmagens.