Iguaba Grande é a cidade da Região dos Lagos com a melhor qualidade de vida. É o que aponta o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Brasil (IDSC-BR). O levantamento, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis, avaliou todos os 5.570 municípios brasileiros a partir de cerca de 100 metas e 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos em 2015, e que devem ser cumpridos até 2030 por 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU).
O levantamento mostra como cada cidade está avançando (ou ficando para trás) em áreas que interferem diretamente na vida da população. As notas (que variam de zero a 100) são calculadas a partir de indicadores públicos e oficiais que medem diferentes aspectos da realidade de cada município. Saneamento, saúde, educação, segurança, infraestrutura, emprego, preservação ambiental e redução das desigualdades estão entre os aspectos considerados pelo levantamento. Quanto maior a nota, mais próxima a cidade está das metas estabelecidas pela ONU para melhorar essas condições até 2030.
O menor município da região alcançou nota 56,73 e conquistou a quinta posição no ranking estadual, atrás apenas de Niterói, Quissamã, Silva Jardim e Comendador Levy Gasparian, e a 887ª colocação no levantamento nacional. Além da nota geral, o índice permite identificar em quais áreas a cidade está avançando e onde ainda existem problemas a serem enfrentados. Iguaba Grande já alcançou 39 delas, mas ainda precisa melhorar em mais de 60.
Na avaliação geral, o município iguabense obteve índice considerado “muito alto” em quatro dos 17 objetivos: água limpa e saneamento (83,49), energia limpa e acessível (87,77), consumo e produção responsáveis (100) e ação contra a mudança global do clima (82,58). Mas obteve avaliação “muito baixa” em igualdade de gênero (33,37), indústria, inovação e infraestrutura (13,61), proteção à vida terrestre (29,60) e paz, justiça e instituições eficazes (30,72). Essas notas apontam os principais desafios do município, envolvendo desde a participação das mulheres no mercado de trabalho e na vida pública até infraestrutura, preservação ambiental, segurança e qualidade das instituições, com avaliação das taxas de homicídio, combate à corrupção e nível de transparência, entre outras questões.
Arraial do Cabo vem logo em seguida, com nota 55,88 (oitava colocação no estado e 1114ª no Brasil). A cidade cabista também conseguiu alcançar 39 metas. Os destaques positivos ficaram por conta dos itens água limpa e saneamento (86,41), energia limpa e acessível (95,09), ação contra a mudança global do clima (81,45) e vida na água (100). Mas obteve avaliação “muito ruim” em indústria, inovação e infraestrutura (3,74), redução das desigualdades (37,81), paz, justiça e instituições eficazes (36,47) e cidades e comunidades sustentáveis (33,56). O resultado mostra que os principais desafios do governo municipal de Arraial do Cabo estão em áreas que afetam a infraestrutura da cidade, oportunidades de trabalho, segurança e as condições de vida da parcela mais vulnerável da população que vive em favelas e comunidades urbanas.
Com nota 54,92, Búzios aparece em terceiro lugar no ranking regional, 15º no estadual, e na posição 1.424 no nacional. O balneário alcançou apenas 33 metas da ONU, com destaque positivo apenas em dois dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: água limpa e saneamento (84,25) e energia limpa e acessível (95,09). Apesar das boas notas nesses dois quesitos, o resultado geral mostra que há uma distância considerável entre os investimentos do governo buziano e as metas de desenvolvimento sustentável. A cidade teve desempenho “muito ruim” em cinco itens: paz, justiça e instituições confiáveis (34,92), igualdade de gênero (36,18), redução das desigualdades (38,20), parcerias e meios de implementação (11,20) e indústria, inovação e infraestrutura (6,02), que avalia, entre outros aspectos, a infraestrutura urbana e a criação de empregos formais em atividades que exigem conhecimento e tecnologia.
Um dos municípios mais ricos da Região dos Lagos por conta do alto repasse de royalties do petróleo, Saquarema alcançou 37 metas e aparece em quarto lugar no ranking regional com nota 54,87 (16º lugar no estado e 1.438º no Brasil). O Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Brasil revela que o grande volume de dinheiro que entra nos cofres públicos não está sendo traduzido em avanços nos diferentes indicadores avaliados pelo levantamento. Assim como Búzios, a cidade só obteve destaque em dois índices: energia limpa e acessível (92,99) e ação contra a mudança global do clima (82,50). Em quase todos os outros objetivos avaliados, Saquarema conseguiu avaliações que variam entre “alto” (nota 60 a 79,99) e “baixo” (40 a 49,99), ficando “muito baixo” em indústria, inovação e infraestrutura (8,84) e igualdade de gênero (35,35). Isso significa que, mesmo com uma das maiores receitas da região, Saquarema ainda apresenta indicadores baixos em áreas que envolvem emprego, infraestrutura, participação feminina e segurança das mulheres.
Embora tenha sido bem avaliada em quatro dos 17 objetivos, Cabo Frio obteve notas “muito ruins” em seis itens, fazendo com que a nota final fosse de 51,93, ocupando a quinta colocação na região, o 34º lugar entre todos os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, e a posição 2.559 no Brasil. A capital da Região dos Lagos alcançou apenas 30 metas, se saindo “muito bem” nos quesitos água limpa e saneamento (90,05), energia limpa e acessível (93,05), consumo e produção responsáveis (80) e ação contra a mudança global do clima (82,66). São resultados positivos em áreas que afetam diretamente serviços básicos, consumo, meio ambiente e acesso à energia. Mas foi “muito ruim” em indústria, inovação e infraestrutura (14,84), cidades e comunidades sustentáveis (32,15), proteção à vida terrestre (36,65), paz, justiça e instituições eficazes (34,61), redução das desigualdades (23,10) e parcerias e meios de implementação (7,18), que avalia o total de receitas e os investimentos públicos.
São Pedro da Aldeia obteve nota 50,32, ficando em sexto lugar na região, 48º no estado e 3.208º no ranking nacional. Com apenas 27 metas alcançadas, o município aldeense teve avaliação “muito alta” apenas nos quesitos água limpa e saneamento (86,81) e energia limpa e acessível (86,51), e avaliação “muito baixa” em indústria, inovação e infraestrutura (6,46), redução da desigualdade (23,07), paz, justiça e instituições eficazes (35,29), parcerias e meios de implementação (10,01) e proteção à vida terrestre (32,01). As notas baixas indicam dificuldades principalmente em relação à infraestrutura da cidade, segurança, investimentos públicos e investimentos em preservação do meio ambiente.
Araruama amargou o último lugar no levantamento local: com nota 48,36, ficou em 66º lugar no estado, e em 3.938º no Brasil. Com 30 metas alcançadas, a cidade se destacou em água limpa e saneamento (88,65), energia limpa e acessível (86,26) e ação contra a mudança global do clima (84,14). Mas teve avaliação “muito baixa” em oito itens: igualdade de gênero (37,91), indústria, inovação e infraestrutura (9,55), redução das desigualdades (35,70), cidades e comunidades sustentáveis (37,96), proteção à vida terrestre (26,23), paz, justiça e instituições eficazes (31,88), parcerias e meios de implementação (24,96) e consumo e produção responsáveis (24,55), que avalia a mudança nos padrões de consumo e recuperação dos resíduos sólidos através da coleta seletiva de lixo.




