O Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, em Cabo Frio, continua em obras e sem previsão de reabertura. Segundo anúncios feitos pelo próprio prefeito Serginho Azevedo, a reforma do espaço cultural teve início em julho do ano passado. A previsão era de conclusão em seis meses, mas se arrasta há mais de um ano. Esta semana, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) confirmou à Folha que foi necessário estender o prazo mais uma vez (a última previsão era para agosto deste ano), mas não informou o motivo.
Questionada pelo jornal sobre uma nova data de conclusão dos trabalhos, o órgão disse apenas que os serviços estão em fase final, e que “em breve, finalizaremos todo o processo”, sem dar nova previsão. A reportagem da Folha também questionou à Faetec sobre o que falta ser feito para que a reforma seja concluída. A fundação evitou entrar em detalhes, informando apenas que “o projeto prevê a modernização da estrutura do teatro, incluindo renovação dos revestimentos internos e externos”. Informou ainda que “já foram concluídas várias etapas” e que “os demais serviços estão em fase final de execução”.
Membros do Conselho Municipal de Cultura de Cabo Frio, no entanto, afirmaram à Folha que mais da metade do que está pronto no teatro municipal é fruto de investimentos atuais somados ao que já havia sido feito por governos anteriores. A constatação, segundo o produtor, ator e diretor teatral José Facury Heluy, é resultado de uma recente vistoria feita no local, e que virou um relatório técnico que já foi enviado à mesa do Conselho.
– Se a gente considerar que tem uma obra civil de pisos, lajes, telhados e outras coisas sobre a estrutura física do prédio, ali tem 70% das coisas prontas, juntando o que já foi feito no governo passado e outras coisas que foram feitas agora. Como eu tenho acompanhado essa obra em várias comissões, eu sei exatamente até que ponto deixaram há quatro anos. De três anos para cá, o que eu vi de diferente foram umas platibandas que fizeram do lado de fora; uma rampa nova, porque tiraram aquelas duas laterais que tinham, e colocaram uma melhor, a ponto de dar uma vazão boa lá para cima; deslocaram as áreas dos condensadores de ar que ficava meio exposta (botaram em umas guaritas para dentro do prédio, meio camufladas, de um lado e do outro), e fizeram uma pintura de alguma coisa mais densa no próprio telhado inteiro, lá por cima. Nos banheiros estão faltando os aparelhos sanitários - relatou Facury à Folha.
O Termo de Cooperação Técnica entre a Prefeitura de Cabo Frio e a Faetec foi assinado em meados do ano passado, após articulação direta feita entre o prefeito Serginho Azevedo e o Governo do Estado. Antes do início das obras, a Secretaria Municipal de Cultura chegou a elaborar um relatório técnico detalhando as principais demandas estruturais do prédio, entre elas a reforma completa da iluminação, de todos os aparelhos de ar-condicionado, e da caixa cênica, que segundo o secretário de Cultura de Cabo Frio (Carlos Ernesto Lopes, o Carlão), havia sido condenada pelo Corpo de Bombeiros devido a infiltrações. Em nota enviada à imprensa na época pela comunicação do governo municipal, Carlão afirmou que “a situação era grave e exigia uma ação urgente”. Apesar disso, após mais de um ano de reforma, Facury afirmou que não viu, até agora, nenhum investimento na caixa cênica.
– Eu não sei se a caixa cênica está incluída no processo integral do que estão fazendo lá porque nós, da Comissão, nunca conseguimos ver nenhum cronograma, e nenhum técnico nunca falou com a gente. Nós estamos avaliando o que a gente viu. A caixa cênica, que para mim é a metade do valor do recurso gasto na obra, não tem nada pronta, absolutamente nada. Tiraram, inclusive, a estrutura de ferro, que sustentava essa caixa cênica, e não tem nada ali. Se não estiverem fazendo as coisas em outro lugar para colocarem lá depois, essa obra ainda vai demorar no mínimo, no mínimo, no mínimo, uns cinco ou seis meses. E, conforme sondagem que a gente fez com alguns funcionários, só tem uma média de três ou quatro pessoas trabalhando lá na obra, o que vai retardar muito mais os trabalhos - explicou Facury.
Após a vistoria, os conselheiros informaram ter encaminhado ao Conselho Municipal solicitação para a presença de um técnico da Faetec, ou da própria construtora, com o objetivo de prestar explicações sobre o desenvolvimento da obra. Facury também afirmou que os conselheiros não sabem o valor que está sendo investido na obra: “Ninguém nos informou até agora”, revelou.
A novela sobre a mudança nas datas para a reabertura do teatro se arrasta há anos. Na gestão de Adriano Moreno (2018 e 2020) foram anunciadas reformas e inaugurações que não aconteceram. Entre 2021 e 2024, nos governos de José Bonifácio e Magdala Furtado, novos anúncios foram feitos, mas também não foram cumpridos. Em janeiro de 2025, ao assumir a Prefeitura de Cabo Frio, o atual prefeito Serginho Azevedo informou que o teatro passaria por uma grande reforma, desta vez em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e a Faetec.
Em conversa com a Folha, na época, Carlão anunciou que a reabertura estaria prevista para o começo do segundo semestre de 2025, o que não aconteceu. Com o início das obras somente no mês de julho, uma nova previsão de reinauguração foi anunciada para dezembro do ano passado, o que novamente não se confirmou. Em janeiro deste ano, membros do governo chegaram a informar que a reinauguração aconteceria depois do carnaval: mais uma vez o prazo não foi cumprido.
Em maio, durante as comemorações do Dia Internacional da Dança, na Praça Porto Rocha, o secretário municipal de Cultura anunciou a intenção de entregar o espaço no último dia 14 de agosto, data em que o teatro completaria 29 anos. A previsão foi reafirmada por Carlão em uma publicação feita por ele nas redes sociais. Na ocasião, o secretário afirmou que era muito triste “assumir a gestão e encontrar um equipamento tão importante para a nossa cultura fechado e sem os cuidados que merecia”. Quando o espaço fechou as portas por falta de manutenção, em 2017, o atual secretário ocupava o cargo de superintendente de Cultura.
Também em maio, em nota enviada à Folha, a Faetec informou que a reforma do teatro previa a modernização de toda a estrutura, incluindo a renovação dos revestimentos internos e externos. Na ocasião, a fundação contou que já haviam sido concluídas a reforma do backstage, da cobertura, da área administrativa, dos banheiros, dos corredores e da área das condensadoras do sistema de climatização, além da recuperação das janelas e vidros. Informou ainda que, mesmo com as mudanças estruturais e tecnológicas, o teatro manteria sua capacidade original de 235 lugares.




