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Elefante branco

28 maio 2026 - 13h12

Imagine receber um presente do qual você não pode se livrar, cujo custo de manutenção é desproporcional à sua utilidade. Isto é o que podemos chamar de elefante branco, expressão originária dos elefantes albinos mantidos pelos monarcas do Sudeste Asiáticos em Myanmar, Tailândia, Laos e Camboja, considerados sagrados. A posse de um elefante branco nestes países é considerada um sinal de que o governante reina com justiça e poder e de que o reino é abençoado com paz e prosperidade.

A origem do termo vem da tradição que associa o elefante branco com o nascimento de Sidarta Gautama, o Buda. Sua mãe havia sonhado com um elefante branco, presenteando-o, ao nascer, com uma flor de lótus, símbolo da sabedoria e pureza. Como os elefantes brancos são considerados sagrados e as leis os protegem, receber um desses animais como presente de um monarca era simultaneamente uma bênção e uma maldição: bênção porque o animal era sagrado e um sinal do favoritismo do monarca pelo súdito que o recebia; uma maldição porque o animal não tinha uso prático, não podia ser colocado para trabalhar e o custo de sua manutenção era elevado para seu dono. Alguns monarcas utilizavam a prática para arruinar financeiramente um cortesão inconveniente ou inimigo, presenteando-o com um elefante branco, pois não podiam vendê-lo, colocar para trabalhar ou repassar para outra pessoa, tendo que arcar com as despesas da sua manutenção.
Com o passar do tempo a expressão transformou-se em uma metáfora para descrever algo grande e valioso, mas que se torna um pesado fardo e não possui nenhuma utilidade prática. Na atualidade costumamos usar o termo para se referir a presentes inúteis e projetos governamentais faraônicos que requerem fortunas para sua manutenção.

Na área pública, onde raramente encontramos cuidado com os recursos utilizados, temos muitos exemplos de elefantes brancos. É mais fácil construir, pois dá visibilidade ao gestor, do que manter. Alguns complexos esportivos construídos para os jogos Pan-Americanos de 2007, como a Arena Multiuso, o Parque Aquático Maria Lenk, o Complexo Esportivo Deodoro e o Velódromo da Barra, no Rio de Janeiro, foram apontados por terem se transformados em elefantes brancos. Um dos casos mais emblemáticos foi a compra do Porta-aviões Minas Gerais pela Marinha do Brasil. Fabricado em 1945, foi adquirido em 1956 da Inglaterra, passou por reforma de modernização, operou de 1960 a 2001, sendo vendido como sucata em 2004. Foi apelidado de “Belo Antônio”, numa referência a um filme italiano de 1960 onde o personagem principal, muito belo, era casado com a personagem de Claudia Cardinale, também belíssima, mas sofria de impotência sexual. 

Há uma história a respeito de uma senhora idosa e viúva que tinha três filhos. No dia das mães os três, ao visitá-la, ofereceram ricos presentes. O primeiro lhe deu uma bela casa com muitos cômodos e jardins; o segundo presenteou-a com um automóvel Mercedes-Benz de elevado valor; o terceiro, sabedor que sua mãe gostava muito de ler a Bíblia, mas estava tendo dificuldades para a leitura, ofereceu-lhe um papagaio treinado por um monge que recitava os textos sagrados do Gênesis ao Apocalipse, pagando pelo pássaro 200 mil dólares. Passado algum tempo, os filhos foram visitá-la e ouvir a respeito da receptividade dos presentes. Ela então lhes disse: “A casa é muito bonita, mas praticamente vivo em um único cômodo e tenho muito trabalho para limpá-la; o carro é maravilhoso, mas como não sei dirigir não tenho como utilizá-lo. Quanto àquela pequena galinha verde, adorei, fiz um guisado maravilhoso que até hoje sinto o seu sabor”. Para a idosa os ricos presentes não passaram de elefantes brancos. Como diz um antigo ditado: “Nem tudo que reluz é ouro”.