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Coluna

A revolução do bichos

09 julho 2026 - 12h40

Em 1945, o escritor indiano/inglês George Orwell (1903 – 1950), com o objetivo de fazer uma crítica ao socialismo modelo bolchevista, utilizou uma alegoria que envolvia bichos para criticar a sociedade política da sua época, escrevendo o livro “A Revolução dos Bichos” (Animal Farm). O foco da obra era denunciar que o poder absoluto corrompe os ideais de justiça e igualdade. A fábula política narra a rebelião dos animais da Granja do Solar contra seus donos humanos, objetivando criar uma sociedade justa e igualitária. A utopia logo se transforma em uma ditadura brutal liderada pelo porco Napoleão, com isso, satirizando o totalitarismo e a corrução do poder. A história se desenvolve a partir do cansaço dos animais ante os maus-tratos impostos pelo fazendeiro Sr. Jones. Estimulados pelos ensinamentos do velho porco Major, decidem tomar a fazenda. Os porcos considerados mais inteligentes assumem o comando. A liderança inicial é dividida entre os porcos, Bola-de-Neve e Napoleão, o primeiro, idealista, foca em melhorias e na educação dos demais; o segundo, mais autoritário, usa cães de guarda para expulsar Bola-de-Neve da granja e tomar o poder.

Expulsos os humanos, eles estabelecem sete mandamentos fundamentais conhecidos como “Animalismo”, sendo a regra máxima: “Todos os animais são iguais”. O objetivo era garantir que nenhum animal se comportasse como humano.

A história culmina na transformação final dos porcos, que passam a andar sobre duas patas, usar roupas e negociar com humanos. A opressão volta a ser idêntica à da época em que eram governados pelos homens. O mandamento central do Animalismo é modificado para uma das frases mais famosas da literatura: “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros”. A conclusão do livro de George Orwell mostra o fracasso trágico da rebelião. Os porcos tomaram o poder, mas se tornaram idênticos aos humanos tiranos, culminando na cena em que os outros animais espiam pela janela da casa e percebem ser impossível distinguir quem é porco e quem é humano. A fazenda retorna ao seu nome original, “Granja do Solar”, simbolizando que a opressão voltou ao início com os novos donos. A falta de instrução da maioria dos bichos os tornou alvos fáceis da propaganda e manipulação oficial, permitindo que a classe dominante alterasse as regras originais para benefício próprio.

A moral que o livro revela é que o “poder absoluto” corrompe os ideais de justiça e igualdade, ilustra como revoluções populares podem ser manipuladas por líderes gananciosos que, ao assumirem o controle, tornam-se tão ou mais opressores quanto os tiranos que derrubaram. 
O objetivo do autor de Animal Farm foi denunciar os ideais da Revolução Russa de 1917, onde o sonho socialista de igualdade degenerou na tirania do stalinismo. Serve ainda como alerta atemporal sobre como a falta de instrução, o medo e a manipulação podem permitir que governantes corruptos ditem as regras e controlem as massas em benefício próprio.

No Brasil, eram comuns as músicas de protesto, composições que utilizavam a arte para denunciar injustiças sociais, opressão política e desigualdades, tendo marcado gerações, servindo como instrumento de resistência e ferramentas para driblar a censura, especialmente durante a Ditadura Militar. O cantor e compositor brasileiro Chico Buarque foi um dos que se destacou nesta forma de protestar, utilizando músicas de duplo sentido. Na música “Apesar de Você” (1970), o autor faz uma crítica feroz e irônica ao regime, que se disfarça na canção, contando o término de um relacionamento, mas que na verdade foi escrita para desafiar o autoritarismo do então presidente Emílio Garrastazu Médici. 

Mahatma Gandhi (1869 – 1948) foi inspirado ao dizer: “O único ditador que eu aceito é a voz silenciosa da minha consciência”.