sexta, 28 de agosto de 2026
sexta, 28 de agosto de 2026
Cabo Frio
21°C
Coluna

A torre de Babel

20 agosto 2026 - 18h01

Citada na Bíblia, no livro de Gênesis, capítulo 11, versos um a nove, a Torre de Babel é um dos mais intrigantes mitos da história, tendo como lição mostrar os limites da soberba e do orgulho humano diante do divino. Este mito explica de forma teológica a origem da diversidade de línguas e de nações no mundo. O texto na Bíblia diz o seguinte: “E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi o tijolo por pedra, e o betume por cal. E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. E então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam. E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer”. Babel, nome dado a essa cidade, significa confusão ou mistura. Em hebraico, significa “porta de Deus”, e foi a capital do Império Babilônico, que em seu apogeu se transformou numa poderosa civilização, chegando a se constituir num dos maiores centros culturais e econômicos do mundo antigo. Mário Quintana (1906–1994), poeta brasileiro, incluiu em um de seus poemas a seguinte frase: “Eles ergueram a Torre de Babel para escalar o céu. Mas Deus não estava lá! Estava ali mesmo, entre eles, ajudando a construir a torre”.  

Pesquisadores indicam que a narrativa se inspirou nos grandes templos em forma de pirâmide escalonada, encontrados na Mesopotâmia, chamados de zigurates, entre os quais o gigantesco Etemenanki, dedicado ao deus Marduque, com cerca de 90 metros de altura e base quadrada, considerado pelos estudiosos como a inspiração para a lenda bíblica da Torre de Babel. Este relato, respeitando as diversas opiniões e teorias levantadas sobre a existência, ou não, da torre, nos faz refletir sobre nossa atualidade. Vivemos tempos de caos político, social e econômico. Conceitos de honra, civilidade, respeito e palavra[omitiu vírgula] ficaram no passado, no papel. Alguns homens estão se colocando no lugar de Deus, e certamente isto vai ter consequências.
Por diversas vezes, nos últimos tempos, os homens tentaram estabelecer uma linguagem única, universal, como o esperanto, língua planejada, criada em 1887 pelo médico polonês Ludwik Lejzer Zamenhof. Este idioma tem o objetivo de servir como uma segunda língua neutra e universal para facilitar a comunicação internacional, promover a paz e unir culturas sem privilegiar nenhum país. Entretanto, tal projeto não tem prosperado. Por outro lado, durante muito tempo o inglês serviu como referência de língua internacional, e agora divide espaço com o mandarim, que, respaldado pelo poderio econômico e político da China, vem crescendo em procura e uso.

Entretanto, a forma de comunicação que mais tem crescido, de maneira assustadora, é a tecnológica. Recentemente visitei um evento realizado na cidade do Rio de Janeiro, o Rio Innovation Week, a maior conferência global de tecnologia, inovação e negócios, reunindo cerca de 200 mil pessoas, dezenas de conferencistas e exposição de organizações públicas e privadas. Pude constatar que a tecnologia está superando o próprio homem na sua capacidade de criar e inovar. A IA (Inteligência Artificial) é uma realidade que transforma o real no irreal e vice-versa, levando-nos a questionar se o que vemos é verdadeiro. E o mais assustador é que tudo isso já vem sendo aplicado nos negócios e principalmente na política. Na área social os efeitos são evidentes: ninguém está mais sozinho, tudo o que fazemos pode ser percebido. É o homem querendo ser igual a Deus, onisciente e onipresente. Há prognóstico de que a ciência em tempo próximo deixará de evoluir e retrocederá. Quem viver, verá.