É inquestionável que o mundo está em constante transformação. Novas tecnologias, aparecimento de novas profissões, desaparecimento de outras, mas o que mais necessita ser mudado está bem longe de acontecer: o velho homem. A letra da música “Metamorfose Ambulante”, de autoria de Raul Seixas (1945–1989), músico e compositor baiano, já falava sobre essa faceta do ser humano, ao dizer: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Não adianta utilizarmos tecnologia de ponta quando ainda estamos ligados a velhas práticas, focados em velhas opiniões.
Albert Einstein (1879–1955), físico alemão, é autor de uma frase que diz: “Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado, mas nada pode ser modificado até que seja enfrentado”. O grande desafio para o mundo moderno é conseguir estabelecer parâmetros para implementar mudanças. Mudança exige coragem, ousadia, quebra de paradigmas.
O maior exemplo de transformação vem da natureza, quando, através do fenômeno da metamorfose, uma lagarta se transforma em uma borboleta. A aparência larval da lagarta provoca arrepio e repugnância na maioria das pessoas. Mas quando acontece a mudança, a percepção muda, passando para admiração de tão belo espécime animal. Isto nos ensina que para encontrar o novo é preciso mudança, transmutação.
Há uma fábula que relata a experiência científica desenvolvida por um grupo de cientistas: “Foram colocados cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada, e no alto dela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir na escada, os outros o pegavam e batiam muito nele. Algum tempo depois, nenhum macaco subia mais na escada, apesar da tentação pelas bananas. Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira atitude do novo morador foi subir na escada, porém foi retirado pelos outros, que o surraram. Um segundo foi trocado e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituído participado com entusiasmo da surra ao novato. Um terceiro foi mudado, e novamente a surra se repetiu. Depois foi a vez do quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram então com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir na escada, com certeza a resposta seria: ‘Não sei, mas sempre fizemos assim’”.
Nenhuma mudança é fácil, isso é fato; entretanto, a pessoa deve ter em mente que tal procedimento é necessário para o crescimento, tanto pessoal quanto das organizações. O que tem se constituído em barreira às mudanças é o medo das coisas darem errado, de não conseguir, receio do que os companheiros de trabalho vão pensar, de não ser aceito, de receber críticas. Uma antiga citação diz: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”; esta é a realidade vivenciada por muitas pessoas e instituições. Quem não ousar, não agir, não partir na frente, correr riscos, perde a oportunidade de alcançar o que deseja. Um ditado popular ensina que: “Quem não arrisca, não petisca”. O mundo sempre esteve ao alcance de quem ousou mudar. Pablo Picasso (1881–1973), pintor e escultor espanhol, disse certa vez: “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol”.
Estamos em período pré-eleitoral; metaforicamente, muitas lagartas se apresentam em metamorfose sob a aparência de belas borboletas, mas no fundo mantêm a mesma essência larval. Como disse o Barão de Itararé: “Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar”
