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Dinheiro fácil

23 julho 2026 - 12h12

Nos primórdios quando Deus criou o mundo, disse ao homem: “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra...” (Gênesis 3:19). Desde então o homem vem tentando fugir desta sina, procurando meios fáceis de ganhar o seu pão, sem esforço, sem suor. Levar vantagem, ganhar sem trabalhar, lucro fácil, tem sido o objetivo de muitas pessoas, e isto vem desde a antiguidade. A Bíblia conta a história de Esaú e Jacó, quando o primeiro vendeu o seu direito de primogenitura ao segundo, em troca de um simples prato de lentilha, para se tornar herdeiro dos bens de seu pai, para isso utilizando-se de uma fraude. E como não falar em Judas, que se vendeu por 30 moedas de prata para trair Jesus, entregando-o aos soldados romanos.

A história é rica em casos de embusteiros, falsários, golpistas e outros espertalhões, que marcaram suas vidas obtendo dinheiro fácil, iludindo pessoas incautas. Dentre os mais famosos, destacamos: Frank Abagnale, norte-americano, falsário no ramo financeiro, inspirou o filme “Prenda-me se for capaz”; George C. Parker (1870 – 1936), norte-americano, vendeu a Estátua da Liberdade, a ponte do Brooklyn e outros monumentos, para turistas em Nova York; Victor Lustig (1890 – 1947), tcheco, sua especialidade era vender máquinas fajutas de falsificação de dinheiro; Artur Virgílio Alves Reis (1896 – 1955), português, era especialista em falsificar dinheiro; Joseph Weil (1875 – 1976), norte-americano, trapaceiro por excelência, inspirou o filme “Golpe de Mestre”, sua especialidade, vender água de chuva como elixir de rejuvenescimento; Bernard Madoff, norte-americano, montou uma pirâmide financeira que arrecadou 110 bilhões de dólares.

No século passado, no Brasil, era muito comum o golpe conhecido como “Conto do Paco”. Era um golpe de estelionato em que criminosos simulavam a perda de um pacote ou envelope com dinheiro. Ao serem abordados pela vítima para devolver o objeto, os golpistas fingiam extrema gratidão e ofereciam uma recompensa, enganando a pessoa para roubar seus pertences ou dinheiro. O termo “paco” é uma gíria para pacote ou maço de dinheiro falso, geralmente coberto por apenas uma cédula verdadeira para enganar a vítima, muito utilizado no golpe do falso bilhete premiado de loteria.

Em nosso município, na década de 1970, aconteceu o caso de um empresário que comprou uma “máquina de fabricar dinheiro”. A ganância cega tanto o ser humano que a vítima não pensou que se alguém tem uma máquina para fabricar dinheiro, por que iria vendê-la?

O desenvolvimento da tecnologia fez os golpes ficarem mais sofisticados, com abrangência muito maior, atingindo cerca de um terço da população brasileira, gerando bilhões de reais em prejuízos. Os crimes mais comuns incluem o pagamento por produtos falsos ou não entregues, extorsão via Pix, clonagem de WhatsApp, falsas centrais de atendimento e golpes envolvendo inteligência artificial e biometria.

E como não falar dos jogos oficiais de loterias? A loteria esportiva arrecadou em 2025, cerca de 30 bilhões de reais. Desse valor, 56% ficou com o governo e somente 44% foram para os apostadores, com uma chance de sorteio de 1 em 2.400.000. As Bets (apostas em inglês) arrecadaram no Brasil em 2025 37 bilhões de reais, envolvendo 25,2 milhões de apostadores. O jogo do tigrinho (Fortune Tiger) é atualmente a grande arapuca para tirar dinheiro dos incautos, principalmente dos cidadãos de menor poder financeiro. No ano passado o Ministério da Justiça, da Fazenda e a Anatel, numa força conjunta, bloquearam cerca de 25.000 sites ilegais de apostas, que vinham tirando dinheiro de milhares de brasileiros. Por que isso acontece? Simples, o desejo de ganhara dinheiro fácil.

Uma frase de Demócrito (460 a.C. – 370 a.C.), filósofo grego, diz: “A ganância faz o homem trabalhar como se o fim da vida nunca fosse chegar”.