O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitou à Prefeitura de Cabo Frio a paralisação imediata das obras de reforma da Praça das Águas, na Praia do Forte. A informação foi confirmada à Folha por Carina Mendes, chefe do Escritório Técnico da Região dos Lagos. Segundo o instituto, o processo de aprovação do projeto ainda não foi concluído e, por isso, as intervenções não podem continuar até que os ajustes necessários sejam realizados. De acordo com Carina Mendes, o escritório técnico do Iphan já está em conversa com a Prefeitura de Cabo Frio para que o projeto seja adequado e receba a aprovação definitiva.
– A solicitação foi feita porque o processo de avaliação e aprovação do projeto ainda está em andamento. Assim, as intervenções iniciadas na última semana deverão permanecer suspensas até a conclusão da análise. Considerando a relevância estratégica da área para a revitalização paisagística da Praia do Forte, integrante do conjunto tombado de Cabo Frio, a normativa vigente exige a apresentação de projeto paisagístico para intervenções no local. Após reunião entre as equipes técnicas do Iphan e das secretarias municipais envolvidas, foram discutidos os ajustes necessários para a aprovação definitiva da proposta. No momento, o Iphan aguarda o envio da nova versão do projeto — informou Carina ao jornal.
A reforma do local foi anunciada pela prefeitura no último dia 15. A previsão era de conclusão em novembro deste ano. Além de uma nova identidade visual, o espaço também ganharia um novo nome: "Praça Encantada das Águas". O projeto, anunciado pelo prefeito Serginho Azevedo, previa a requalificação completa de toda a estrutura, com novo paisagismo, áreas de convivência, iluminação cênica e a instalação de fontes interativas para uso recreativo, principalmente por crianças. Também estavam previstas fontes programáveis com integração entre movimentos da água, iluminação e trilha sonora, além de uma arquibancada inspirada na relação histórica de Cabo Frio com o mar e a água.
A Praça das Águas foi inaugurada em 2013, durante o governo do então prefeito Alair Corrêa. O investimento foi de cerca de R$ 12 milhões. Em 2019, a prefeitura, sob o comando do então prefeito Adriano Moreno, informou que a água existente no local estaria se infiltrando no solo e poderia atingir o lençol freático. Segundo o governo, havia risco para os edifícios do entorno. Por isso, um novo projeto chegou a ser anunciado para readequar o espelho d'água. Mas nada aconteceu.
Dois anos depois, em 2021, o então prefeito José Bonifácio anunciou a intenção de aterrar parte da Praça das Águas, transformando o espaço em uma praça convencional. A proposta, no entanto, não foi executada. Mas, em agosto do mesmo ano, parte da estrutura precisou ser interditada após uma avaliação realizada por engenheiros e pela Defesa Civil.





