O escritor Pierre de Cristo vai divulgar o livro "Cabo Frio na Rota da Escravidão" na Feira Literária de Iguaba Grande (FLIG), entre os dias 17 e 18 de julho. O lançamento oficial da edição revisada aconteceu no último dia 27, no Centro de Memória Afro-indígena, localizado no Jardim Esperança, em Cabo Frio, com diversas atividades culturais, incluindo apresentações de Maracatu, graffiti e uma exposição fotográfica.
O novo livro de Pierre revisita o passado da região de Cabo Frio em um formato paradidático, trazendo dados específicos sobre o processo de colonização e a formação quilombola. À Folha, o autor explicou que o processo de revisão durou quase um ano.
— A revisão foi necessária para acertar alguns erros da primeira edição e também rever algumas fontes primárias que poderiam entrar em um segundo livro. O livro foi revisado por quase um ano pelo editor Luciano Monteiro, ganhador do Prêmio Caps de Literatura e Linguística, que transformou o antigo trabalho em um novo livro, agora em um formato paradidático com alguns elementos do anterior, e também com outros inéditos. A nova edição teve ainda o olhar atento da Thammy Carvalho, através da fotografia, e fazendo a parte de execução e assessoria para que tudo desse certo – explicou.
Segundo Pierre, a motivação para investigar especificamente o papel de Cabo Frio nessa rota histórica surgiu da necessidade de uma literatura que abordasse o tema de forma ampla. O escritor ressaltou a importância geográfica do município no contexto da rota da escravidão.
— Havia a necessidade se ter uma literatura que falasse sobre a formação dessa escravização de forma mais ampla, desde os primeiros escravizados (indígenas e africanos) até a formação quilombola da Região dos Lagos. Cabo Frio foi um grande polo colonizador. Foi nesta região, após a proibição do tráfico negreiro em 1831, que grandes traficantes vieram desembarcar navios e mais navios em todo nosso litoral, explorando desde a Praia do Forte, Praia das Conchas e inúmeras outras em Búzios, com centenas de africanos. E não havia um livro que apresentasse dados mais específicos. Agora eu trago desde a ampla escravidão até a nossa região percorrendo um caminho de recortes. O livro tem essa intenção de rever recortes históricos para ajudar novas pesquisas sobre a escravidão de uma forma geral. Cabo Frio entrou na rota da escra vidão desde o século XVI, quando indígenas foram os primeiros a se tornarem objetos do colonizador para inúmeros trabalhos na região. E, tempos depois, entra a figura dos africanos para cumprir esse papel crítico, doloroso e desumano – revelou.
O escritor conta que recorreu a uma extensa lista de fontes, incluindo documentos e livros, consultando inclusive arquivos públicos.
— Consultei desde autores regionais como Hilton Massa, a doutora em História Nilma Accioli, a doutora em Educação Gessiane Nazario, entre outros que escreveram sobre o tema antes de mim. Também consultei os arquivos da Câmara de Cabo Frio, da Biblioteca Nacional, do Arquivo Nacional, do Museu da Justiça, do Museu da Economia, e inúmeras outras instituições públicas e privadas que tinham algum tipo de documentação que falasse sobre a escravização na antiga Cabo Frio.
Rodrigo Cabral - Crédito: Pierre de Cristo ao lado do autor e ilustrador Yuri Vasconcellos, em dia de lançamentos no Centro de Memória Afro-indígena, no Jardim Esperança


