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Coluna

Estamos de luto, mas na luta!

18 fevereiro 2020 - 19h47

Amigas e amigos de todas as terças, o Carnaval aproxima-se mas, ao invés da folia, ingressamos nesta contagem regressiva com os corações enlutados. Afinal, foram dois grandes guerreiros inesquecíveis, na luta contra o crime.
Antes de tudo, registro minhas condolências à família, amigos e entes queridos dos dignos e saudosos policiais militares, bem como todas as mais sinceras homenagens, pelo extenso currículo de batalhas incansáveis. Verdadeiros heróis do nosso cotidiano que, muitas vezes, passam anônimos aos olhares da sociedade, seu principal patrimônio que juraram defender com o sacrifício da própria vida.

Na memorável canção do Policial Militar, letra do Coronel Jorge Ismael Ferreira Horsae, e melodia do Subtenente Músico Mário José da Silva, no trecho final da primeira estrofe, entoamos que “em cada soldado tombado, mais um sol que nasce no céu do Brasil”. Esses dois combatentes horaram seus juramentos, fazendo jus a cada gesto de reconhecimento e honra militar manifestada.

Todos ficamos muito comovidos e devemos total solidariedade, inclusive, à tropa do 25° Batalhão, cujas baixas são inquestionavelmente irreparáveis. Todavia, conheço boa parte de seu efetivo e sei o quão resignados e resilientes são. Da capacidade de, mesmo lacerados pelos trágicos acontecimentos, continuar progredindo no terreno, sem recuar, qualquer que sejam os níveis de ameaça e risco.

Devemos, sem dúvidas, confiar em nossas instituições, e acreditar que uma resposta rápida e dentro dos limites da legalidade será apresentada, na elucidação dessas abomináveis ações criminosas, e que a impunidade não prevalecerá.
Lembremos que um atentado contra um agente responsável pela aplicação da lei, é uma ofensa inconcebível e intolerável ao próprio Estado de Direito, e que afeta a realidade de todos. Mais do que nunca as Forças de Segurança precisam do apoio irrestrito da população, colaborando com informações, por meio dos diversos canais de denúncia, para que os facínoras sejam logo identificados e capturados.

A paz e a liberdade dependem da união e comunhão de esforços entre as autoridades legalmente constituídas e o cidadão de bem. O luto não é obstáculo para quem tem por rotina impedir o avanço de organizações criminosas, mesmo que nem sempre sejam correspondidas e compreendidas.

Insisto, por oportuno, que os maiores avanços, no entanto, ainda dependem da nossa classe política que precisa traduzir os anseios sociais, por um sistema penal mais dinâmico, célere e eficiente em reformas significativas. Que seja capaz de rechaçar um “garantismo” distorcido, que cria uma espécie de rede de proteção para o criminoso, subvertendo valores elementares, e colocando numa posição de (quase) vítima aquele que escolheu delinquir e infringir a lei. Nesse mesmo sentido, vale o engajamento de entidades tão essenciais, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública e o Ministério Público, além, obviamente, do próprio Poder Judiciário.

Assim, a legítima pressão popular, a cobrança aos nossos parlamentares, no sentido de aprovarem mudanças efetivamente profundas, capazes a reduzir a sensação de condescendência jurídica, seja pela demora na obtenção de sentenças definitivas, em detrimento a uma infinidade de recursos – que protelam aborrecidamente os julgamentos –, seja numa execução de pena capaz de desestimular o próprio condenado, como outros que venham cogitar viver na marginalidade.
E lembremo-nos, sempre: “não há prova de amor maior, que aquele que da sua vida pelo irmão” (Evangelho de São João – capítulo 15, verso 13).