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Coluna

Se gritar pega ladrão...

16 junho 2020 - 13h06

Prezados leitores e amigos de todas as terças, começamos a semana mais uma vez estarrecidos pela visita da Polícia Federal a diversos endereços de nossa amada Cabo Frio. Abismados, sim, mas desapontados, certamente que não.

Pelos enredos e eventos que vêm aturdindo a cidade, na verdade não precisaria ter “bola de cristal” para prever que, em algum momento, os federais estariam realizando suas diligências, em inúmeros alvos espraiados pelas planícies cabofrienses.
É notório e visivelmente desproporcional a qualidade e disponibilidade dos serviços entregues à população e os volumosos recursos destinados ao município, especialmente para enfrentamento à Pandemia da COVID-19.

Vale considerar que, mesmo nos períodos de aparente bonança e normalidade, com os diversos instrumentos de controle em pleno funcionamento, e a exigência de licitações para aquisições realizadas pelo Poder Público, era (infelizmente) comum a incidência de casos de corrupção.
Imaginemos, agora, em que tais requisitos foram “relaxados”, para que ações reativas ganhassem a agilidade e celeridade necessárias para suprir as diversas demandas geradas por essa crise monumental e sem precedentes, permitindo-se as denominadas compras e contratações classificadas como emergenciais, ficando dispensadas dos austeros mecanismos licitatórios preconizados na Lei n° 8.666/1993, e demais normatizações correlatas. Indubitavelmente tornou-se uma porteira aberta aos vorazes oportunistas de ocasião e seus irresistíveis e insaciáveis apetites pelo erário, cuja aproximação com o período eleitoral, talvez tenha servido de anabolizante, tornando as “oportunidades” ainda mais tentadoras. Aqui, vale aquela máxima da sabedoria popular de que “a ocasião faz o ladrão”!

Nesta segunda, 16 de junho, a operação “EXAM”, assim batizada pela Força Tarefa formada pelos agentes da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e Controladoria Geral da União (CGU), realizou buscas e apreensões autorizadas pela Justiça Federal de São Pedro da Aldeia (RJ), na Região dos Lagos, cujos alvos seriam - pelo menos, até o fechamento desta coluna - destinadas a incursões na Secretaria de Saúde e seu Almoxarifado, e o Hospital Unilagos, além de outras quatorze pessoas físicas e cerca de onze sociedades empresariais, sem falar daquelas intervenções policiais realizadas em outros municípios, como em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, por exemplo.

Não é tripudiar sobre a desgraça alheia ou antecipar juízo de culpabilidade dos ainda envolvidos nas investigações, mas de novamente manifestar todo repúdio e indignação ante a tamanho desatino e desfaçatez.

Ao que parece os órgãos encarregados pelas investigações apuram os desvios que podem superar a cifra de aproximadamente R$7 milhões. Fica a pergunta: quantos poderiam ter sido poupados? Realmente a perfídia desses gestores e sua claque/partidários, associados a uma parcela inescrupulosa de empresários, aliciados e cooptados, estendem seus asquerosos tentáculos na busca de alcançarem um meteórico faturamento de seus empreendimentos.
Já alertei em outras ocasiões que causava, no mínimo, inconveniente estranheza a falta de transparência dessa administração e lentidão na tomada de decisões e divulgação de informações, transparecendo aquela sensação de que algo estava “fora do eixo”.

Este articulista já ponderou aqui mesmo, nos nossos encontros semanais, que corruptos que se favorecem da fragilidade da população, nos momentos de grave tribulação, incerteza e agonia, como a que atravessamos, está numa escala abjeta e repulsiva para além das fronteiras da desumanidade. 
Vidas perdidas, famílias dilaceradas, dor de entes queridos que precipitaram lágrimas de consternação, num luto ensurdecedor; muitos sem sequer dispor daquele momento de despedida, pela impossibilidade de um velório mais digno.

São os coveiros da dignidade alheia, desprovidos de um mínimo de sensibilidade e que merecem muito mais que o incisivo e impreterível rigor das penas, mas principalmente o desprezo das urnas, em cuja recente ocasião, trouxe para o nosso debate a possibilidade de que o legislador atribuísse tratamento assemelhado ao dos Crimes Hediondos, endurecendo-lhes as consequências para quem afanar os cofres públicos.
Novamente conclamo a todos para que sejamos vigilantes e fiscalizemos os atos praticados por esses mandatários, principalmente diante dos contextos de grande vulnerabilidade social.

É mais que um direito, mas um dever cívico de cada cidadão acompanhar de perto o que aqueles que foram eleitos democraticamente, estão exercendo com coerência e justo compromisso seus mandatos.
Vamos juntos varrer da política esses abutres e ratazanas que nunca deveriam ter emergido do pântano putrefato de onde vieram.