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Coluna

Saída pelo Turismo

28 julho 2020 - 20h24
Estimados amigos, leitores de todas as terças, no encontro desta semana gostaria de fomentar o debate sobre um tema que pode criar promissoras conjunturas de reação aos enormes desafios provocados pela PANDEMIA da COVID-19. Sabidamente, um dos efeitos mais devastadores da crise causada pelo novo coronavírus foi a extinção de inúmeros postos de trabalho diretos e indiretos, com severa reação em cadeia afetando ambulantes e profissionais autônomos.
 
Cabo Frio, como outras cidades que tem no turismo um de seus principais e expressivos segmentos, observou, atônita, a rede hoteleira ser completamente paralisada, bares e restaurantes fechados e diversos pontos turísticos evacuados.
Sem entrar no mérito dos erros e acertos do denominado isolamento horizontal e lockdown (de certas atividades econômicas) – isto, a história dirá –, fato é que inúmeras famílias e empreendimentos passaram a enfrentar uma angustiante dificuldade, levando ao fechamento de tantos estabelecimentos. Por isso, a proposta deste articulista permanecerá no campo das ideias altruísticas, sem engajamentos oportunistas.
 
A vocação turística da secular cidade cabofriense possui ampla e incomparável diversidade.
 
Vejamos que o cardápio a ser explorado é “saborosamente” variado. Terra de gente acolhedora, possui uma miríade de opções gastronômicas, dispondo de cozinhas típicas e variações para todos os gostos. E prestes a completar seus 405 anos (13 de novembro), possui atrações arquitetônicas que remontam aos séculos passados, proporcionando uma verdadeira viagem no tempo, com casarões, igrejas e bairros inteiros, verdadeiras relíquias, testemunhas de épocas, desde o período da colonização.
 
E não somente isso, o sincretismo religioso abre portas a retiros e caravanas capazes a atender as mais variadas profissões de fé. Mas não para por aí: terreno fértil ao empreendedorismo, reveste-se de atributos que podem atender ao meio corporativo, podendo abrigar convenções, congressos e feiras de negócios; além de geograficamente situada em um ponto praticamente equidistante da Capital/metrópole e outras regiões que concentram relevantes polos produtivos, como o Norte-Fluminense e a indústria do petróleo e suas offshore, e a indústria canavieira, apenas para citar alguns exemplos.
Cabe acrescentar que o recanto outrora descoberto por Américo Vespúcio reúne condições logísticas muito favoráveis, tais como corredores viários importantes, destacando-se as rodovias estaduais, RJ-106 e RJ-140, e um aeroporto capaz de abrigar voos internacionais e aeronaves cargueiras. Sem falar de sua extensa costa que anualmente integra o circuito de cruzeiros de todas as categorias.
 
Mais além, comporta o bucólico e reserva cenários incrivelmente atraentes. Aqui, nesse verdadeiro paraíso de belíssimos cartões postais, praias de areias brancas e granulado refinado, estendem-se trechos de Mata-Atlântica, dunas magníficas, restingas e manguezais; colinas e o rural pitoresco que abrem espaço aos amantes da ecologia, dos temperos e iguarias tipicamente caipiras, assim como aos esportes de ação e aventura. Adicione-se a isso tudo porções consideráveis de cultura e arte... grandes festivais e exposições aportariam tranquilamente, agregando-se em programações e calendários a manter movimentadas todas as temporadas.
 
Imaginemos um esforço consistentemente focado em desenvolver todas essas possibilidades, quantos serviços e mão-de-obra seriam necessários para atender tamanha demanda, estimulando o mercado local em várias frentes.
Neste momento de retomada e reabertura da economia, uma das principais saídas para os gargalos do atual estado de estagnação, sem dúvida, percorre os notáveis caminhos que esse setor pode proporcionar.
 
Por isso, não adianta o Poder Público cruzar os braços e aguardar recursos “caindo” do Governo Federal, como de royalties e outros “fundos”, igualmente importantes e indispensáveis, para honrar compromissos. Mas arregaçar as mangas e sair dessa tibieza e sedentarismo asfixiantes, gerando oportunidades, empregos e renda.
 
E é bom correr, pois a saúde financeira do erário municipal vem deteriorando a galope, e não pode, portanto, ficar refém de mandatários apáticos e encilhados a políticas nada republicanas.