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As “chuvas” de março fechando o Verão!

03 março 2020 - 12h57

Passado o êxtase da folia, e lá se vai o Carnaval deixando sua marca, para muitos, de alegria e repleto de momentos inesquecíveis. Mas superada toda empolgação da avenida ou a alegria extravasada nos populares blocos de rua que, ano após ano, seguem resgatando tradições, é chegado o momento de retomar a rotina.

Todavia, para amenizar as temperaturas e acalmar toda essa agitação, quase que cumprindo o vaticínio de Tom Jobim: “são as águas de março, fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração”.

Mas, então, com as chuvas, torrenciais e mais intensas em determinada região, de intensidade constante e persistente em outras, nos solidarizamos com os dramas de centenas, milhares de famílias desalojadas e outras tantas desabrigadas.
Enchentes e inundações, deslizamentos de barreiras e comprometimento de encostas, rotineiramente obrigam multidões a deixarem seus lares, por puro instinto de sobrevivência.

Mas como de costume, apesar dos perigos de fixar residência em áreas de risco, certo mesmo é que, na maioria dos casos, nossas autoridades passaram, quase que desde sempre, a atuar somente reativamente, após a instalação do caos. É afirmar que pouco é feito na prevenção de desastres.

Os investimentos em saneamento básico, urbanização, tratamento adequado de rios, desassoreamento de canais, limpeza das vias públicas, desobstrução de bueiros, conscientização da população no trato com o lixo são irrisórios. Além disso, ampliação de áreas verdes nos meios urbanos, drenagens de rotina, implementação de políticas de habitação para manejo dessa parcela (considerável) da população mais vulnerável. Iniciativas simples!

Sem falar em outras soluções arquitetônicas e de engenharia civil de maior complexidade, mas que em realidades de cidades em desenvolvimento, como Cabo Frio e outras da nossa Região dos Lagos, um bom planejamento político já bastaria.

Quase que simultaneamente, após caírem as primeiras precipitações, buracos, verdadeiras crateras proliferaram mais rápido na malha rodoviária cabofriense que a anunciada pandemia do “corona vírus”.

Andar com o veículo particular tornou-se uma verdadeira aventura. Além dos graves riscos de acidentes, a probabilidade de um dano severo, desde avaria nos pneumáticos ou na suspensão tornam-se iminentes. 

Sem falar que os pontos de alagamento são sempre os mesmos. Para exemplificar, recentemente registramos problemas dessa natureza, na Rua Inglaterra, que fica no bairro Jardim Caiçara, e na Rua Ramon Perelló Filho, que faz esquina com a Avenida Litorânea. Não é exercício de profecia prever que tal localidade será mais afetada, por tal fenômeno natural. E todas pertencem a um segmento central do município, que geralmente concentra aglomerados residenciais, comerciais, financeiros e de negócios, o que seria de pressupor maior infraestrutura. E se por lá, nossa gente enfrenta esse cenário, imagina quem pertence à periferia ou meio rural.

Mais preocupante que as “chuvas de março fechando o verão”, é a apatia dos mandatários e de quem detém atribuição institucional para fiscalizá-los. Realizam eventualmente voluptuosas obras de paisagismo, praças suntuosas, mas ignoram carências.

E sabemos o porquê dessa tendência entediante e desafortunada que, a cada quatro anos, surge como mera “promessa de vida”. Meus caros leitores e leitoras de todas as terças, “é pau, é pedra, é o fim do caminho, é um resto de toco, é um pouco sozinho”. Mas sabemos como mudar. Se no samba, falamos no pé, o próximo recado deve vir das urnas!