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Coluna

A Pandemia e o Pandemônio!

14 abril 2020 - 11h37

Estimados leitores de todas as terças, enquanto seguimos cumprindo as regras de isolamento e distanciamento social, ainda esperamos, ansiosos, por dias melhores, que certamente virão. Porém, informações desencontradas e as guerras de narrativas só contribuem para tornar o ambiente, já turbulento, ainda mais repleto de incertezas.

Levantamento publicado pelo governo do estado, nesta segunda (13/4), aponta que que o Rio de Janeiro poderá acumular perdas da ordem de 15 bilhões, este ano. E quem vai naturalmente pagar a conta dessa fatura amarga, sem dúvida é o contribuinte. 

Certo é que a crise já denota efeitos colaterais extremamente angustiantes. Mesmo com os auxílios financeiros começando a chegar à população mais fragilizada, os receios do desemprego e da falta de assistência ainda assombram a sociedade.

Parece, entretanto, que certas figuras persistem em tentar transformar a pandemia em pandemônio, no ritmo das denúncias que vão, desde notificações duvidosas a inusitados decretos de calamidade, de caráter no mínimo questionável.

O próprio Ministro da Saúde já declarou que estamos vivendo uma "crise de valores" e que determinadas programações jornalísticas andam muito "tóxicas" ultimamente.

Sensato afirmar que não podemos sucumbir ao pânico, embarcar na canoa furada da inconsequência de determinados gestores que persistem na estratégia de isolamento como única opção de enfrentamento.

Mesmo passados mais de 40 dias, desde que as primeiras medidas de contingenciamento foram adotadas, ainda não vimos lideranças buscando alternativas para reiniciar a máquina da economia. Vejamos o exemplo de Cabo Frio: o Prefeito, num dia, verteu lágrimas em vídeo veiculado nas redes sociais, apelando para que os concidadãos permanecessem em suas casas, no outro, decretou calamidade em saúde mas, ao que parece, ainda não traçou nenhuma estratégia para retomar a atividade econômica.

A Saúde não está dissociada dos mercados, do desemprego, do saneamento básico, e, portanto, não pode ser utilizada como justificativa universal.

O que dizer aos empresários, principalmente os micro e pequenos empreendedores; ambulantes, autônomos, trabalhadores do comércio, prestação de serviço, da indústria...

Ainda sobre a decretação da calamidade pública, convém, por oportuno, consignar que os nossos órgãos de fiscalização já encontravam copiosa dificuldade, em tempos de normalidade, que dirá agora! Contratações fora de contexto, de valores controversos e de opaca transparência, abrem ocasião à corrupção.

Convenhamos, imprescindível, manter a luz de alerta acesa e acompanharmos, atentos como verdadeiros sentinelas, cada movimento, e exigir atitudes concretas.

A inação, pois, daqueles que foram constituídos em autoridade, pelo prodígio do voto, pode ser tão nocivo e devastador ao seu povo quanto um vírus. O tempo não para e a fome não espera.