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Nocauteando a violência!

Caríssimos leitores da Folha dos Lagos, neste encontro de todas as terças, escolhi falar sobre uma forma diferente de enfrentar a violência que assola nossas cidades e principalmente aquela que surge dentro de nossos lares. Quando pensamos sobre como comb

08 outubro 2019 - 15h54

Caríssimos leitores da Folha dos Lagos, neste encontro de todas as terças, escolhi falar sobre uma forma diferente de enfrentar a violência que assola nossas cidades e principalmente aquela que surge dentro de nossos lares.

Quando pensamos sobre como combater a criminalidade e toda danação que provoca, logo imaginamos o enfrentamento bélico, confrontos, megaoperações, cujos resultados costumam ser alvo de críticas vorazes, até pelos indesejáveis eventos colaterais. Certamente trata-se de uma frente que não podemos abandonar. Porém, perene é a tensão existente entre o dever estatal de conter o ímpeto de bandos dotados de armamentos de fazer inveja a muitos esquadrões de elite, e manter a população – muitas das vezes usada como escudo – a salvo de seus infames ataques.
Não podemos, ainda, ignorar os graves casos de agressões praticadas em ambiente doméstico ou que assumam, nas relações afetivas, os tons mais cinzentos e traumáticos, longe dos olhares públicos. Processos que podem permanecer hibernando por anos, até que eclodam em ataques de fúria incontroláveis e inconsequentes, ou que tornam indivíduos facilmente fragilizados às armadilhas sedutoras do crime.

E às vésperas de celebrar meu segundo ano à frente do 23° Batalhão, temos buscado enveredar por caminhos alternativos, que possam atuar num sentido diferente, com uma abordagem mais qualificada e sutil.

Deste modo surgiram os projetos JIU-JITSU PARA TODOS e JIU-JITSU PARA TODOS KIDS, lançados recentemente em nossa Unidade, e que vêm conquistando rapidamente inúmeros adeptos, das mais variadas faixas etárias e classes sociais.

Com sede no Leblon, nossa área de atuação atende boa parte da Zona Sul do Rio, abrangendo, ainda, os bairros de Ipanema, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea e São Conrado, e as comunidades da Rocinha e Vidigal. Estas últimas com atribuições compartilhadas com o Comando de Polícia Pacificadora.
A iniciativa, coordenada pelo nosso faixa preta, o Sargento Tavares, percorre escolas, principalmente da rede pública, e promove o Jiu-Jitsu e seus principais conceitos. As práticas são ministradas em um tatame ergonomicamente montado, nas dependências do quartel, sem qualquer custo para os atletas.

Além do amplo espectro de golpes e técnicas da denominada “arte-suave”, a equipe foca em destacar os benefícios da prática desportiva, na busca por mais qualidade de vida, como meio de melhorar a autoestima e o desenvolvimento individual. Por meio da disciplina consciente, os monitores trabalham também valores como a ética, o aprimoramento dos relacionamentos interpessoais e familiares, auxiliando na superação e no respeito às diferenças. E em meio a esse ambiente de integração e descontração, debater realidades e temas como bullying, drogas, cidadania e assiduidade escolar.

Tal empreitada não é inédita e muitas são as entidades, sobretudo ligadas à Segurança Pública, que diversificam e investem em ações que eventualmente proporcionem maior proximidade com a sociedade. Todos instrumentos importantes na desconstrução de estigmas e fortalecimento dos elos de confiança com as instituições do Estado.

O caminho é longo e os resultados nem sempre são imediatos, mas as sementes seguem sendo lançadas para que, a seu tempo, germinem e rendam frutos favoráveis, auxiliando na formação de núcleos familiares mais resilientes, cidadãos mais conscientes e participativos. Fiquem atentos, apoiem, e não percam a oportunidade de fazer a diferença você também!