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Coluna

Frutos do conhecimento

05 dezembro 2020 - 14h55

É impressionante como simples instantes são capazes de transformar dias comuns em cantigas memoráveis.  Valorizamos o memorável? Certamente o acelerar das horas nos convida a virar páginas, mudar roteiros, recomeçar histórias; Seguir em frente. Registros preciosos que levamos para a vida inteira, preenchendo as páginas da existência, quando o intuito é permanecer. Um mar de ondas leves, com valores construídos, voluntariamente recíproco. Minha escolha é a imersão! Saio das margens sem reservas, e destas memórias incríveis e construtivas, facilmente me arrancam sorrisos as manhãs de cada segunda feira.

A cidade fica ao lado, São Pedro da Aldeia. O cenário, seu próprio lar. Seu porto seguro. Jeito inocente, olhar que salta em sorrisos na expectativa boa de chegar o mágico instante de adquirir conhecimentos. O bom dia é sonoramente doce, na voz de quem anseia as descobertas.  Em ano atípico, onde a sala de aula adentrou os lares, a resistência bailou. É preciso ser forte? Sim! Ter coragem? Sim! Ser valente? Claro! Talvez essa ajudinha tenha feito toda a diferença. O ser é pequeno, mas valente, literalmente, Pedro Valente! E fez toda diferença.

Pedro sorri. Pedro diz: 

– Bom dia, tia Vivi! Pedro anseia pelo conhecimento. De coraçãozinho aberto, se corrige, e nos corrige também. 

Se é xadrez, Pedro diz: – Sim! Se leitura, ‘sim’; Se música, ‘sim’. Peculiarmente ama as palavras; Este universo mágico e revelador. Dos conhecimentos, unir as letras em sílabas, juntá-las até formar palavras, e descobrir o significado e sentido de cada uma, tem sido seu pedido constante.  Só há um momento capaz de fazer Pedro deixar o instante de aula, sem indagações: 

– É a hora do lanchinho. Sorrindo afirma estar faminto. Paramos tudo e partilhamos a pausa, saboreando aquele cafezinho, que normalmente Pedro coloca para a ‘tia Vivi’.

Quantos dias! Quantas memórias! Precoce e peculiar ser gentil. De expressões afáveis. Cinco anos e muito nos ensina. Escolhe sorrir e arrancar sorrisos; Aceita o conhecimento e muito me preenche.

Sim, na simplicidade dos dias, na leveza das escolhas, aceito a missão que difere do trabalho. Sigo desejando que os olhares se abram em gratidão aos dias ensolarados, e aos dias cinzentos também. Há valor em cada tom. O homem precisou de um pouco mais de  60 anos para desenvolver um televisor a cores, mas a cada manhã de segunda feira, contemplando o sorriso sincero do Pedro, este menino Valente, que ama aprender e expressa o quanto tem aprendido, recordo com alegria que nascemos enxergando colorido. Estendo este carinho a cada príncipe e princesa  que renovam em mim o amor pela arte de educar. Também aos seus familiares, que generosamente sonham juntinho comigo, acreditando, confiando. Afetuoso abraço.