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Coluna

Memórias atuais

02 maio 2022 - 10h16

Era manhã de uma segunda-feira ensolarada. Recordo o tédio daquele instante, por saber que a nota da prova de Língua Portuguesa não seria tão boa. Uma ida até a padaria do segundo quarteirão poderia ajudar. O coração já pulsava diferente, e o anseio de pegar uma caneta e um papel aumentava.

Havia uma banca de jornais e revistas no caminho. Eu sempre pedia os jornais da semana anterior. Eu não pagava por ele, era uma leitora assídua dos fatos que haviam ficado para trás. Bom moço aquele, já sabia, reservava e cedia. Nunca soube seu nome, acredito ter falhado nisso... Sinto muito por isso!

Recordo ter voltado pra casa com os pães, o leite e o jornal. Certamente teria um bom instante literário. A última página era meu destino certo. Lá eu encontrava paz, lá eu me esquecia do que não era bom, lá eu sonhava. Era uma página poética. Era leve! Bendito dia! Pela primeira vez observei o número do telefone do jornal. Precisei de muita coragem para ligar e pedir autorização para visitar. Seria muito bom conhecer uma edição de jornal. Um jornal em Minas Gerais. Meu coração bateu acelerado, descompassado. Conversei, fiz perguntas e tamanha era a curiosidade, fui convidada para ir pessoalmente. Eu já amava as letras, mas contemplar aquela produção tinha um valor inigualável.

Meus dias de poesia passaram a ter um significado maior. Sim, cogitei a ideia de ler meus escritos num jornal. Era incrível imaginar a possibilidade. Foi uma boa semente lançada ao universo. Imaginava cada letra, de cada palavra. Cada verso e as estrofes completas. Me tornei colecionadora dos poemas e crônicas que recortava da última página do jornal. Permiti asas aos meus sonhos literários, voei na proporção das expectativas e foi a melhor escolha.

O tempo foi tão generoso... Bom ouvinte, nada crítico! Acolheu cada estrofe dos meus dias, cada mínimo sussurro do meu coração. Hoje, anos após, colho frutos de tal semeadura. Meu pé de sentimentos preciosos frutificou! Que alegria ler cada parágrafo, cada mínima intenção poética que flui das minhas veias. Há poesia na resistência.

Hoje, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, na cidade de Cabo Frio, contemplo a paz nas entrelinhas. A resistência do leve, do amor, da certeza de que vale a pena acreditar. Palavra por palavra, textos recheados de coração. O sonho adolescente se fez real. A colecionadora se tornou fonte, e a inspiração está ancorada nos corações de uma equipe preciosa do jornal Folha dos Lagos.

Quero parabenizar a equipe, em especial ao meu editor Rodrigo Cabral, por acreditar e manter o coração aberto à minha essência literária. Por abrir as portas para a concretização de um sonho tão antigo. Minha verdade compartilhada, minha veia poética que abraça e sente-se abraçada a cada nova conquista. Vocês são incríveis! Sonham sonhos que não são seus, acreditam no novo, seguem com tamanha excelência! Gratidão por tudo! Sintam-se afetuosamente abraçados! Bom dia, Região dos Lagos! Bom dia, Cabo Frio! Bom dia, humanidade! Bom dia, Folha dos Lagos. Afetuoso abraço.

(*) Viviane de Cássia é professora.