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Revolta do Cachimbo
Coluna

Vestes impecáveis

11 junho 2022 - 08h15

Inverno quase às portas, e a elegância desfila! Passos apressados pelas ruas, olhares fixos ao longe. Há som além do trânsito perturbador... Há som além das sirenes e roncos acelerados dos motores das motos. Estalam as folhas secas debaixo dos meus pés. Folhas envelhecidas, expostas ao tempo... Vento, sol, chuva. É como música para os meus ouvidos.

Vento sudoeste acariciando nossa face. Para a maioria, perturbador. Passos ainda mais apressados. Chuva anunciada... Persistente vento! Friozinho convidando ao bom café. Consigo sentir o aroma... Notas de cacau sendo denunciadas por minha aliada mente. Talvez esteja equivocada, mas posso estar certa. A cafeteria está logo ali... Boas lembranças ecoam o silêncio de outrora, diante da xícara de chá. Delicioso chá de canela e o balançar dos galhos das árvores. Pássaros cantando nos fios, harmonizando o instante de solidão. Tão bom senti-la! Há quem sofra por isso, que lamente ausências.

Jamais veria o que vejo se meus olhos precisassem ser divididos. Escolhi ser fiel ao silêncio e muito ouço, partilho e compartilho. Memórias das valsas austríacas; das canções francesas afirmando que o leve sempre está presente. Eruditas ou Italianas... Músicas! Memórias tem fragrâncias e permanecem. Outono bailando a despedida que está logo ali. Quase nos pede colo e autorização para permanecer...

Há cores distintas nas vestes escolhidas. Sim, elegância! Se as pessoas soubessem quão simples é estar bem vestido... Não se trata de finos tecidos ou adornos. É necessário desnudar a alma. É elegante fazê-lo. As mais belas vestes estão na face, no sorriso sincero e leve. No olhar que sorri, independente do caos. Sorriso da alma, vestes de paz.

Sabe do que estou falando, querido leitor? Tem ideia de um sorriso assim? Já vi inúmeros e são inspiradores. Meus pés vagueiam o solo da saudade. Rendidos ao tempo, seguem, distintos de mim. Bailam o porvir, atados aos rascunhos de uma vida inteira. Passageiros somos!

E você, querido(a) leitor(a), quais são as suas memórias? Tem cores? Fragrâncias distintas? Vestes especiais? Lugar a revisitar? Se possível, dá uma olhadinha no espelho... Faça-o, sem demora, literalmente! Sabe esse olhar expressivo, repleto de histórias a serem contadas? São as janelas da sua alma... Sabe esse sorriso tímido que ensaia a espontaneidade? São suas nobres vestes! Vista-se e saia! A vida está linda do lado de cá.

Bom dia, Região dos Lagos! Bom dia, Cabo Frio! Bom dia, universo! Afetuoso abraço!

(*) Viviane de Cássia é escritora, membro da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio (Alacaf).