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Coluna

Eu, em Construção

11 abril 2021 - 12h13

Onde anda a linha, o rascunho da estrada, que te possibilita voltar e modificar os fatos? Os pontos que marcaram o caminho, os sonhos, as alegrias, os amigos, as surpresas... Onde ficaram? Onde estão? Em que fase da vida me esqueci, assim perdido, sem retorno, sem saída, onde faltou a iluminação? Os fracos, sem vontade, desacordados, limitados, ficaram ou romperam? Onde deixei a intuição? Passos longos determinam a pressa, o foco ausente, idealizações sem motivo, falsa vida, falso ponto... Onde deixei a emoção? A que traz a perspectiva da certeza e a tentativa de sondar o próprio eu; Na esperança de um conserto, resgatando aquela força que se perde num adeus. Tão meus, tão falhos, tão incógnitas...

Busca no ar pinceladas remotas, cumprindo a meta de esticar linhas assim, tão tortas. Preciso seria voltar no tempo, rever lamentos e resgatar no vento o que se perdeu. Rompendo com sorte o fio da morte, que destrói tão fundo a construção do eu. Sondar no infinito a força nobre, do ousado, o forte, que não quer perder. O que ficou parado, intimidado e fraco, não aceitou os fatos, quis, então, rever... E descobriu que cresce quem se entrega à sorte, não se lança à morte, por querer vencer. Segue firme, luta constantemente, despertando a eterna graça de viver. Incompreendidos dias passados, soltos aos ventos inconstantes do destino, num mistério nobre que engrandece em longos tempos, a memória ativada de um menino.

Força estranha reconstrói o destruído, junta os cacos resgatados na lembrança, obrigando a natureza ultrapassada, reviver os passos certos da infância. Onde o tempo se rende às brincadeiras, liberando o verdadeiro espectador, não relatando erros e consequências, esquecendo sua função nobre de mentor. Vejo a nudez de um instante alternativo, que descubro no infinito sem lamentos, sem questões; Como quem vence uma batalha e me faz acreditar, nos grisalhos das surpresas, na dobra ao lado do olhar. É a mutação da própria vida. Fui menino inocente, mudei, assim, de repente, num fechar e abrir dos olhos, ao me dar o luxo de parar; numa estrada sem cantiga, com ladeiras tão confusas, de cansado fiz pensar:

– Como peca o ser humano, ao questionar seguir errando, se faz parte do viver... Aprender com os próprios erros, parar, se preciso for. Descobrindo sem lamentos, que o novo, o que perdura, tem a essência do amor... Que aceita, que perdoa, compreende e segue em frente, sem tirar nem por. Sabendo que a lembrança é da vida a própria herança que te faz continuar, fazendo valer a pena, desabrocha em cada cena, exuberante a atuar. 

Fiel cortina é a memória que se abriu no tempo certo, permitindo respirar. Hoje adulto, maduro, foca no brilho do olhar, que tanto diz no silêncio, sendo exemplo pra esta gente, que insiste paciente, com aplauso mudo esperar... Resgatar aquela cena, da inocência do menino, que jamais se fez perdido, desejando só viver... Quebrando o gelo da fala, que na essência grita a alma, descobrindo que é forte, deseja intensamente, com esperança renascer. Um sentimento assim, tão nobre, nem a própria alma encobre, pois espera que com o tempo, o homem possa entender:

– Que viver é uma arte, não se deve questionar... É um mar de águas brandas, com dias de intensa ressaca, com ondas a levantar. Te forçando a seguir em frente, lembrando que nem o Rio consegue fugir do mar. Tem sua nascente própria, mas o encontro é certeiro, impossível evitar. Vou reescrever os fatos, aqui dentro, interno, em mim... Escrevendo a história, de mãos dadas com a memória, registrando os lamentos, conquistas e intentos, com páginas e páginas, até o fim!

Bom dia, Região dos Lagos. Bom dia, Cabo Frio. Afetuoso abraço.