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Os monumentos de Cabo Frio no programa Amaury Valério

Projeto reuniu pesquisa histórica, memória, tecnologia e participação popular em 12 episódios dedicados ao patrimônio cabo-friense

08 setembro 2026 - 17h00Por Redação
Os monumentos de Cabo Frio no programa Amaury Valério

Chegou ao fim, esta semana, a primeira temporada da série “Nossos Monumentos”, produzida para o Programa Amaury Valério. A ideia do projeto é promover o resgate, registro e valorização do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural de Cabo Frio. Idealizado pelo próprio radialista, no ar há 37 anos, o projeto teve produção, apresentação, pesquisa histórica e roteiro coordenados por Patrícia Bernardo, jovem comunicadora autista que buscou trazer para o quadro uma linguagem criativa, dinâmica e acessível a diferentes públicos.

Ao longo de 12 episódios, a série apresentou ao público histórias, curiosidades e memórias relacionadas a importantes monumentos e instituições da cidade, aproximando o conhecimento histórico de quem acompanha o programa na Rádio Ondas FM, na televisão (Canal 10 a cabo) e também pelas plataformas digitais. Entre os monumentos que tiveram sua história contada estão o Charitas, Forte São Matheus, prédio da Câmara Municipal de Cabo Frio, Anjo Caído, Fonte do Itajuru, Ponte Feliciano Sodré, Igreja de São Benedito, Igreja de Nossa Senhora da Assunção, Museu de Arte Religiosa e Tradicional, Capela do Morro da Guia, sede do Corpo de Bombeiros e Marco das Sesmarias.

Mais do que apresentar construções e monumentos, a proposta foi mostrar que cada espaço guarda acontecimentos, personagens, transformações e memórias que ajudam a compreender a identidade da cidade. Por isso, segundo Patrícia, o trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisa em arquivos, livros, registros históricos e do diálogo com pesquisadores, historiadores e memorialistas locais. A produção também utilizou recursos audiovisuais e efeitos especiais com inteligência artificial como ferramentas para enriquecer a experiência do público e auxiliar na representação de diferentes períodos da história.

– A parte da pesquisa foi um grande desafio pra gente. Mas o que realmente nos surpreendeu foi o fato de que muita gente, mesmo os próprios cabofrienses, não conhecer a história dos monumentos. Por exemplo, o Charitas: poucas pessoas sabiam a história daquele prédio. Só quem estudou no Colégio Ismar Gomes, que é a escola mais antiga de Cabo Frio, conhecia porque disse que isso era ensinado, era colocado em pauta nas escolas. E o turista tem interesse nesse tipo de informação. Então, é uma coisa que seria importante as secretarias municipais desenvolverem, colocarem a história (não necessariamente o que a gente produziu), mas uma plaquinha contando. Os próprios ouvintes que acompanhavam o programa afirmaram não conhecer a história dos monumentos. Inclusive foram muitas reclamações negativas em relação à preservação desses espaços. Mesmo assim, o projeto foi maravilhoso.

A construção dos episódios contou com importantes contribuições. Cabo-friense, Fernando Secco colaborou com histórias e memórias locais; Luciano Ribeiro, do Sebo Ventura, ajudou com livros e publicações sobre a história da região; e Agilson Garcia, acervista e memorialista, participou com materiais e conhecimentos fundamentais para a pesquisa. O projeto contou ainda com o trabalho de preservação da memória realizado pela página Memorial de Cabo Frio, com acervo organizado e imagens recolorizadas por Achilles Pagalidis, além da contribuição de Margareth Alves, historiadora, paleógrafa e servidora com 30 anos de atuação na proteção do acervo da Câmara Municipal de Cabo Frio.

De acordo com Patrícia, a temporada foi marcada  pela participação de pessoas que acompanharam cada episódio, compartilharam lembranças e ajudaram a fortalecer a conexão entre a população e a história de Cabo Frio. Ela também informou que o encerramento da primeira temporada representa a conclusão de um trabalho construído com pesquisa, criatividade e compromisso com a democratização do conhecimento histórico.