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VINHO E LITERATURA

São Pedro terá experiência que une vinho, literatura e história da Região dos Lagos

Primeira edição do projeto "Vinho e Literatura" acontece neste sábado (11) com vagas limitadas, degustação harmonizada, bate-papo com escritor e sessão de autógrafos em um vinhedo

10 julho 2026 - 08h20Por Redação
São Pedro terá experiência que une vinho, literatura e história da Região dos Lagos

"Uma garrafa de vinho contém mais filosofia do que todos os livros do mundo". Inspirado nesta célebre frase atribuída ao cientista francês Louis Pasteur, um evento em São Pedro da Aldeia, neste sábado (11), vai mostrar que vinho e literatura podem caminhar lado a lado. A primeira edição do projeto "Vinho e Literatura" acontecerá das 16h às 20h, na Chácara Bellavista (Rua da Torre, nº 100, no bairro Jardim Primavera). Segundo Francisco Mendonça, proprietário do espaço, será uma experiência que une enoturismo, história regional, gastronomia, degustação e literatura. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas antecipadamente pelo WhatsApp (22) 99978-9982.

O evento terá como convidado o escritor, historiador e pesquisador Leandro Miranda. Autor dos livros "K-36 – o zeppelin que caiu no Cabo" e "Histórias do Arraial e a fábrica da baleia", ambos publicados pela Sophia Editora, Leandro conduzirá um bate-papo sobre a história da Região dos Lagos, seguido de sessão de autógrafos.

Além do momento literário, Francisco lembra que os participantes serão recebidos com um brinde de espumante, e participarão de uma degustação harmonizada em uma experiência que, segundo ele, busca aproximar o público da cultura do vinho e da memória regional.

— Somos apreciadores de vinho, artes e literatura. Estes temas se entrelaçam numa proposta de qualidade de vida e bem-estar. Cultivamos uvas para produção do nosso vinho aqui em São Pedro da Aldeia, e isso nos conecta ao território, por meio das memórias e vivências proporcionadas pela pesquisa e pela prática de meter a mão na massa - contou à Folha.

O vinhedo Bellavista possui cerca de três anos, mas ainda está em fase de produção. Enquanto o primeiro vinho produzido na propriedade não fica pronto, a experiência deste fim de semana será realizada com rótulos de vinícolas brasileiras parceiras, produzidos por famílias com tradição no cultivo de uvas e na elaboração de vinhos. Segundo Francisco, a degustação foi planejada para dialogar diretamente com as histórias que serão contadas durante o encontro.

— Escolhemos um espumante para brindar à vida e ao momento, e três vinhos, sendo um branco e dois tintos, que se conectam com os momentos históricos que serão abordados na experiência. Será uma degustação harmonizada e comentada pelos visitantes que participarão da experiência, porque vinho, literatura e arte são elementos indissociáveis, caminhando juntos desde a antiguidade. A bebida sempre foi musa inspiradora para poetas e pintores, enquanto o design de rótulos transforma garrafas em verdadeiras galerias de arte e espaços para poesias. Já dizia Fernando Pessoa: "Boa é a vida, mas melhor é o vinho" - revelou.

O projeto da Chácara Bellavista nasceu do sonho de produzir vinho na própria Região dos Lagos. Francisco conta que, depois de visitar diversas vinícolas pelo Brasil e pelo exterior, decidiu transformar esse objetivo em realidade.

— Somos apreciadores de vinhos há anos. Sou sócio profissional da Associação Brasileira de Sommeliers e visitamos diversas vinícolas pelo mundo. Ao conhecer vários ambientes e climas onde se cultivam as videiras, nosso sonho se materializou na Chácara Bellavista. Estudamos muito sobre o assunto. Hoje faço faculdade de Viticultura e Enologia para aprimorar cada vez mais nosso microvinhedo e elaborar nosso vinho com a qualidade esperada. Nosso vinhedo é todo conduzido de forma orgânica - contou.

Embora seja a primeira edição do Vinho e Literatura, o evento faz parte de um projeto cultural maior desenvolvido na propriedade. Francisco explica que a experiência deste fim de semana vai funcionar como um pré-Sarau Bellavista, evento que já teve três edições, e integra artes plásticas, música, literatura, fotografia, gastronomia e vinhos. A próxima edição do sarau está prevista para setembro.

— A proposta é que o Vinho e Literatura integre o calendário de eventos da Chácara Bellavista. Estamos avaliando a periodicidade, mas com certeza já é um sucesso diante de tantos autores maravilhosos que temos em nossa região e do espaço que existe para trabalhar a literatura. Creio que os apreciadores de cultura e vinho anseiam por eventos assim em nossa região. Vinho é vida, e a cultura preenche a alma. O principal desafio é o planejamento integrado e a escolha do autor e de sua obra, principalmente com uma proposta que possa ser atemporal e, ao mesmo tempo, focar em um tema tão em evidência como a presença de baleias em Arraial do Cabo e a atividade de turismo de observação, um contraponto à caça que existiu em meados do século passado. A escolha do vinho e das harmonizações também representa um desafio. Afinal, é preciso equilibrar aromas e sabores e ainda propor uma conexão com o nosso território, que compreende laguna, mar, morros, restingas, saberes populares, histórias e legados. E eventos que conectam paisagem, história local, gastronomia, cultura e narrativa criam lembranças mais duradouras do que simples degustações. A proposta é criar uma atmosfera intimista, proporcionar a participação do público numa interação com o autor e criar momentos de troca genuína. Por esse motivo temos vagas limitadas, para que o ambiente proporcione uma experiência memorável. O vinho servirá como fio condutor da experiência, criando conexões entre território, memória, identidade e sensações - reforçou.

À Folha, o escritor Leandro Miranda disse que vê na proposta uma forma diferente de aproximar o público da história regional.

— A oportunidade surgiu quando cruzamos as pesquisas com o vinho, e o Francisco chamou a gente para integrar a programação cultural do espaço, que é muito bacana e inovadora. Tive a oportunidade de participar do primeiro sarau, onde unimos literatura e vinho, e foi uma experiência muito bacana. Agora vamos fazer em um novo formato, levando um bate-papo literário para a cultura do vinho - explicou.

Para Leandro, a possibilidade de realizar esse encontro sobre vinho e literatura em um vinhedo local cria uma experiência diferente para o público, que poderá resgatar a memória regional no vinhedo, transformando degustação e imersão cultural em um momento de ouvir e contar uma boa história regional. 

– Acho que será uma conexão muito interessante entre o vinho e a literatura porque ela tem papel fundamental na preservação da memória e da identidade cultural da Região dos Lagos. Ela resgata e reaviva memórias que estavam esquecidas no passado e que tentamos trazer para o presente ouvindo personagens da época que ainda estavam vivos, fazendo entrevistas, naquela conversa ao pé do ouvido, registrando as memórias cabistas e da Região dos Lagos. Esses registros da nossa tradição oral são muito fortes e estavam se perdendo ao longo do tempo. Eu já tinha muitas dessas histórias dentro da minha própria família e entre amigos cabistas que viveram essa parte da história de Arraial do Cabo. Resolvi preservar tudo isso nos meus livros. 

Além de "K-36 – o zeppelin que caiu no Cabo" e "Histórias do Arraial e a fábrica da baleia", Leandro conta que o terceiro livro já está em fase de conclusão. Será sobre a história do Porto do Forno.

— Vou contar toda a história do sal na Região dos Lagos, passando por Luiz Lindemberg, fundador da salina em 1824; por José Caetano Jalles Cabral, que comprou as Salinas Perynas fundadas por Lindemberg; por Miguel Couto pai e Miguel Couto filho, responsável pela construção do Porto do Forno. Também vou resgatar as memórias de Leger Palmer, que teve grande importância na navegação da laguna com a construção do Canal Palmer, além de José Paes de Abreu e toda a história da navegação na Laguna de Araruama. Vou reunir toda essa trajetória ligada ao Porto do Forno e à história do sal na Região dos Lagos - contou.