Quando Charles e Verônica saíram de Lagos, na Nigéria, rumo a Atenas, deixaram muita coisa para trás. A começar pelo primeiro filho, Francis. Além de suas carreiras, já que ambos eram atletas, ele jogador de futebol e ela do salto em altura.
Na Grécia, a família Antetokounmpo tentou muitas vezes a permanência oficial no país e não teve sucesso. Por isso, não podiam assumir cargos de trabalho formal. O casal com quatro filhos vendia quase tudo: pulseiras, relógios, bolsas, óculos. Nas folgas, os meninos jogavam basquete e, ainda assim, tinham dificuldade de se enturmar, pois inacreditavelmente eram apátridas. Filhos de nigerianos sem registro nigeriano. Nasceram na Grécia, mas o governo não lhes concedia cidadania. Até os 18 anos sequer podiam sair do país, já que não tinham documentos.
Todos os filhos do casal encontraram no esporte um caminho. O mais famoso deles hoje é Giannis Sina Ougko Antetokounmpo, ou só Antetokounmpo ou só "Greek Freak" ("Fenômeno Grego"). Ele começou arrasador no Filathlitikos da Terceira Divisão Grega e não parou de subir até tornar-se um dos melhores da NBA hoje atuando pelo Miami Heat.
Atualmente, o ex-apátrida tem dupla nacionalidade, grega e nigeriana. E não faltam países que gostariam de naturalizá-lo.
Essa história é um exemplo de superação e tanto brilho que deixa na sombra graves problemas. Quantos continuam apátridas? A imigração apresenta consequências políticas nas urnas em toda a Europa. O colonialismo e o imperialismo são uma conta que ninguém quer pagar. Mas não tem almoço grátis.
