A tranquilidade de ter alguém que cuide das suas contas

Contadores falam sobre a profissão homenageada neste domingo (22)

Publicado em 21/09/2019 às 09:00

Eles são fundamentais para quem deseja ter sucesso financeiro. E, das anotações em livros às planilhas digitais, a profissão de contador vem passando por mudanças radicais. Neste domingo (22) é comemorado o Dia do Contador. Profissionais que se destacam na área, em Cabo Frio, refletem sobre as mudanças causadas pela tecnologia e como fazem para se adaptar à nova realidade. 

– Os maiores desafios da profissão atualmente estão relacionados às atualizações, que são muitas e chegam a todo momento. É preciso estar sempre a par das novidades e, além disso, passar essas novidades para os nossos clientes. Alguns são mais resistentes às mudanças. Tem cliente que ainda prefere o sistema de gaveta. Nem sempre é fácil aplicar essas mudanças, mas esse é um processo inevitável – afirma a contadora Raquel de Assis Dantas.

O contador Ramires Rodrigues é otimista em relação às mudanças. Para ele, novas tecnologias vêm facilitando o trabalho.
– Vejo com muito otimismo esse momento para a nossa categoria. É fundamental informatizar o trabalho porque isso melhora o controle. As dificuldades são muito pontuais e estão mais relacionadas a essa necessidade de qualificação constante. Mas as oportunidades estão aí para quem busca se modernizar – afirma ele.

Para a contadora Márcia de Assis, existe necessidade de valorização da categoria. Ela lembra que serviços de contabilidade online estão mexendo no setor, e critica esse tipo de serviço.

– A principal luta da classe é pela valorização. É fazer o cliente entender a importância do trabalho que está sendo feito. Hoje o papel do contador é muito mais amplo, porque muitas vezes vai muito além da contabilidade. Cuida de questões relacionadas ao RH da empresa, trabalha a parte fiscal, com o controle de entradas e saídas, e a parte financeira, no relacionamento com bancos, por exemplo. Essa é uma abrangência que muitos clientes acabam não tendo a noção. A tecnologia, claro, veio para ajudar. Mas também proporciona coisas como esses serviços de contabilidade online, que são muito mais baratos, mas acaba sendo uma propaganda enganosa porque fazem apenas o básico. E, quando o cliente precisa de outros produtos, tem que contratar à parte, o que acaba saindo mais caro – opina ela.

Karina Costa, do Mensurar Contabilidade, também ressalta a dualidade da influência da tecnologia na profissão: “ajuda e atrapalha”, diz a contadora. Para ela, a responsabilidade na profissão aumentou, assim como as tarefas.

– A tecnologia poupa tempo, mas trouxe mais obrigações. 

Apesar dos novos tempos, o que não muda é a satisfação em ver o cliente satisfeito.

– A maior satisfação é quando o cliente consegue obter lucros, quando ele sonha e abre uma empresa e consegue realizar o que sonhou. Quando conseguimos ajudar nessa desburocratização, digamos assim, é uma grande satisfação – conta Karina. 

Segundo o presidente da Associação dos Profissionais de Contabilidade de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Armação dos Búzios (APCCAA), Waldenir Nascif Júnior, a entidade, que completou 50 anos de existência em 2019, vem atuando para fortalecer a classe na região. Ele cita como exemplo um fórum realizado em agosto, que irá se repetir em outubro, reunindo os profissionais da categoria com debates e troca de experiências.

– As transformações são muito grandes, então essa integração é necessária. Aquele formato do contador consultivo, que faz o trabalho braçal, está no caminho de se extinguir. É preciso estudar constantemente e buscar as ferramentas para atuar de uma forma mais moderna. Não é só apresentar números. A contabilidade moderna implica em fazer os balanços necessários e tomar decisões junto com o cliente. Uma rotina que levaria digitando e separando documentos, agora é totalmente informatizada, feita pelo sistema com base nos parâmetros que você criou. Com isso existe mais tempo para analisar as informações e estabelecer estratégias para o sucesso dos clientes – explica.

Segundo dados do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Brasil hoje tem 519.158 profissionais da Contabilidade. Somente no Estado do Rio são registrados 53.856 profissionais no Conselho Regional de Contabilidade. E, se depender do futuro, serão muitos mais. No país, são registrados 360 mil estudantes no curso de ciências contábeis e no estado, 35 mil. 

Para se ter uma ideia da importância da profissão para a sociedade, é ela que afere o que o governo pode arrecadar. E se engana quem pensa que contabilidade é só numero, ressalta o vice-presidente do interior do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio, Ademilton Dantas. Profissional com mais de 20 anos de experiência, ele define a profissão como fundamental para todos. 

– Contabilidade não é só número, é gestão, ajuda aos empresários, mas tem contador que é professor, perito, auditor, contador em áreas públicas. Tem várias funções além do escritório de contabilidade. O contador é fundamental para toda sociedade porque o governo, por exemplo, só tem arrecadação dos impostos porque o contador que apura os mesmos. A tecnologia veio para mudar a forma de trabalho, não para acabar com a profissão – declara Ademilton. 

Da mesma opinião compartilha a contadora Marciana Souza, proprietária do Gonçalves e Cavalcanti Contabilidade. Ela acredita que a profissão de contador nunca acabará porque sempre terá alguém que precisa de um bom suporte, de profissionais honestos e éticos. 
– Como tudo na vida, a chegada da tecnologia é bom e ruim. Aumentou nossa responsabilidade porque hoje a Receita Federal tem mais condições de cruzar os dados, por exemplo. Mas a tecnologia também tornou o serviço mais limpo. 

Questionada sobre qual recado daria aos colegas de profissão no Dia do Contador, ela dispara:

– Que se unam mais, porque a gente vive precisando uns dos outros. Hoje eu posso ter mais e doar, amanhã posso precisar de quem tenha mais... A vida é assim. Que tenhamos mais ética também – finaliza. 

Diferentemente do que prega o senso comum, nem só de racionalidade e da frieza dos números é feita a profissão. A contadora Valquíria França Rosa diz que aprendeu a amar a profissão no escritório Ueliton Barreto Contabilidade, onde trabalha.

– Comecei aqui e tive a oportunidade de aprender que não é só número, é ajudar o empreendedor a entender a sua empresa e a lidar com o cliente – disse.

Daniel Moreira, do escritório de assessoria contábil Moreira de Sá, segue o mesmo raciocínio. Ele já trabalhou 19 dos seus 35 anos na área.

– Tem que ter muita paixão. É tanta burocracia, que, às vezes, a gente se vê impedido e se pergunta se quer parar ou não. A satisfação é ver o problema do cliente resolvido. Conseguir devolver o registro para uma pessoa que estava com CPF ou CNPJ da empresa bloqueado é muito gratificante – diz Daniel.

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