No Carnaval de Cabo Frio, uma apoteose de virtudes e de falhas

Segundo o 'júri das ruas', segurança foi elogiada e a limpeza urbana, mal avaliada

Texto e foto: Gabriel Tinoco
Publicado em 02/03/2017 às 11:34

Nem só de alegria, confete e serpentina foi feito o Carnaval de Cabo Frio, mas, também, de desordem: carros com som em alto volume, ação extorsiva de flanelinhas e a sujeirada pelas ruas irritaram moradores e turistas.

A Prefeitura recolheu, até terça (28), cerca de 3 toneladas de lixo – cerca de 750 quilos por dia. Entretanto, o mutirão não deu conta de tirar das ruas com celeridade o lixo produzido por milhares de pessoas que lotaram a cidade. Resultado: críticas nas ruas e, também, em postagens diversas nas redes sociais.

Enquanto isso, a Polícia Militar montou uma operação conjunta com a secretaria de Ordem Pública para coibar a ação dos flanelinhas. Na noite de segunda-feira, dez foram detidos e levados para a 126ª DP. No entanto, a cobrança irregular se perpetuou por diversas ruas da cidade, principalmente as próximas à Praia do Forte. A operação também fechou o cerco contra os carros que trafegavam com som alto: 62 foram apreendidos. A música em altos decibéis invadiu até a areia: a noite de terça, fiscais da Postura acabaram com uma festa rave que acontecia em plena praia, na altura do Hotel Malibu. O equipamento sonoro foi apreendido. Apesar da força-tarefa, os carros de som se multiplicaram na mesma velocidade que os flanelinhas.

– Meus vizinhos ligavam o som alto todo dia de 9h às 10h. Era uma guerra de música alta. Uma barulhada. De vez em quando, passavam carros com música muito alta na rua. Teve um dia que fizeram a praça da Rua do Ceu de quintal: colocaram mesa, cadeira, som e churrasqueira. Não tem fiscalização nenhuma, né? – desabafou Julio Cunha, morador da Passagem.

As operações da PM durante o Carnaval resultaram em 22 prisões e três pessoas apreendidas. Três armas e uma granada também forma levadas pelos policiais bem como 3,3kg de cocaína, 3,2kg de maconha, 65 pedras de crack e 18 comprimidos de ecstasy, além de balanças de precisão e rádios transmissores.Apenas um homicídio foi registrado, no domingo, no Peró. Ao total, 148 veículos foram apreendidos por irregularidades diversas.
Em termos de tranquilidade, a situação não se aplica ao mar. De acordo com o comando do 18º Grupamento dos Bombeiros, foram 500 resgates durante os dias de folia, 209 apenas na terça-feira. Na segunda, um jovem de 14 anos morreu afogado na Praia do Forte. O 18º GBM cuida das praias do Forte, das Conchas e do Peró, em Cabo Frio; de Santo Antônio e Unamar, no 2º distrito; e a Praia Grande, em Arraial do Cabo.

''Jurados" das ruas deram notas sobre serviços

Apuração do Carnaval em Cabo Frio. Limpeza: nota zero. Segurança: nota dez. Os jurados – os foliões – reclamaram bastante do lixo espalhados pelas ruas. Os moradores, no entanto, admitiram que a festa correu sem problemas, como brigas e assaltos na cidade.

– Está faltando limpeza. A cidade está muito suja. Quem chega percebe a imundice que se instalou aqui. Também deveriam abrir mais estacionamentos. Isso é uma boa sugestão para o prefeito. Sobra espaço para que a cidade tenha essa falta de vagas para os carros – opina o aposentado Jorge Ribeiro, de 74 anos.

O vigilante Jorge Luiz de Souza, 47, não economizou críticas à sujeira na cidade, sem perder o bom humor.

– Teve Carnaval aqui? Não sei disso não. A única coisa que teve em Cabo Frio foi muito lixo na rua. Isso sim eu vi. Senti muito a falta de eventos aqui na cidade neste ano – critica.

O vendedor Robson Aguiar, 38, até que gostou bastante do Carnaval, mas queria ver os shows na Praia do Forte.

– O que deixou um pouco a desejar foi a não saída dos blocos. Fez com que os foliões se deslocassem muito. E era difícil se deslocar com tantos turistas e carros. Deveriam ter colocado os shows na Praia do Forte também.

Apesar da falta de opções, a estudante Beatriz Santos, 16, ressaltou o bom trabalho da polícia no feriado.

– O melhor desse Carnaval foi a segurança. A cidade esteve muito segura neste ano. Deu para aproveitar com tranquilidade. O ruim foi a falta de opções. Tive que ir para outros lugares para poder sair – revela.

Comerciantes reclamam do movimento

A chegada de milhares de turistas não foi suficiente para abafar as reclamações dos lojistas de Cabo Frio. O garçom do Camarão do Forte, Edno da Silva, 56, por exemplo, se disse impressionado com o sumiço dos clientes.

– Não teve Carnaval. Como vai ser bom? – desabafou.

O também garçom Jadiel Ferreira, 69, do Big Pizza, também era pura insatisfação.

– O Carnaval deste ano, sem dúvidas, foi pior do que o do ano passado – dispara.

Já a proprietária do Espetinho do Rei, Sueli Moraes, 52, registra aumento de 30% nas vendas. Mesmo assim, se diz descontente. Mas há quem comemore. É o caso do gerente do Hot Burguer, Paulo Moraes, de 40 anos.

– As vendas aumentaram 100%. Não tenho do que reclamar.

 

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