Mais de 181 filmes de diversas linguagens foram inscritos na primeira edição do Festival Internacional de Cinema de Cabo Frio (FINCCA). De acordo com os organizadores do evento, pelo menos oito países serão representados: Brasil, Argentina, Quênia, Espanha, Portugal, Alemanha, Rússia e Itália. Além do audiovisual, o festival mobilizou artistas em outras frentes, recebendo 228 fotografias e 90 poesias que exploram a temática do mar. A abertura oficial do festival será na próxima terça-feira (14).
A Mostra Nacional foi o grande destaque, com mais de 150 filmes inscritos. Desse total, apenas 15 foram selecionados, representando estados como Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Goiás e Rio de Janeiro. A Região dos Lagos garantiu forte presença com produções de Cabo Frio (“É só fechar os olhos”, de Yuri Vasconcellos; “Manguezais da Região dos Lagos” e “Rede Flor do Mar”, de Lucas Pereira), Búzios (“Robson e a praia”, de Marcos Caviglia; “A vida que brota da pedra”, de Maria Fernanda Quintela; e “Guardiões da terra”, de Ramiro Cobasandri) e Arraial do Cabo (“Costão Rochoso”, de Marcos de Lucena). Já a Mostra Internacional contará com 12 filmes selecionados.
O FINCCA vai reunir, em Cabo Frio, nomes de peso da dramaturgia brasileira. Entre os confirmados está o ator Daniel Ericsson, que cresceu em Cabo Frio e atuou no premiado “Ainda Estou Aqui” (2024), de Walter Salles. A atriz Simone Spoladore, com um currículo de 39 filmes e 20 prêmios, também marcará presença. “Estou animada em fazer parte da primeira edição. Vou participar de uma mesa sobre atuação no cinema brasileiro. Para mim, atuar é como mergulhar no mar”, revelou a atriz à Folha.
Outra presença confirmada é a do cineasta e produtor Adolfo Rosental, diretor do documentário “Vanja Orico, ao Arrepio do Tempo”. “O festival agita o cenário cultural, reforça o turismo e torna acessível uma produção cinematográfica contemporânea e democrática”, afirmou à Folha.
Um dos momentos mais aguardados, no dia 15 de maio, será a exibição do longa-metragem “Sudoeste” (2011), seguida de um debate sobre o realismo fantástico, com presença do diretor Eduardo Nunes e do roteirista Guilherme Sarmiento. Rodado nas ruínas das antigas salinas de Cabo Frio, o filme conquistou mais de 30 prêmios internacionais. Para Eduardo Nunes, voltar ao local das filmagens após 15 anos é especial.
– Precisávamos de um ambiente que trouxesse a ideia de fábula, um lugar que tornasse verdadeira uma história que só pudesse acontecer ali. Encontramos nas ruínas das casas de trabalhadores das salinas o lugar para contar a saga de Clarice. Então, voltar a Cabo Frio agora, tantos anos depois, é muito especial. Espero que o público, além de reconhecer a sua própria região, se envolva com o tom fabular da história. Acredito que o Festival Internacional de Cinema de Cabo Frio tem uma importância muito grande. Fazer com que o público local tenha acesso a filmes que são tão próximos da região onde vivem. Assistir a estes filmes em uma tela de cinema é fundamental, ainda mais numa época em que estamos habituados a solitárias sessões em frente aos nossos dispositivos. Além disso, faz com que fiquemos mais atentos ao grande potencial da região, não apenas como locação, mas como produtora de audiovisual e contadora de histórias. Estimular que novos talentos se sintam capazes de produzir seus próprios filmes é o início de tudo - explicou o diretor.
Realizado em locais como a Casa Scliar, o Museu de Arte Religiosa e Tradicional (MArt), as universidades Veiga de Almeida (UVA) e Uerj, além de praças públicas, o FINCCA promove o acesso gratuito à cultura. Ao todo, serão 16 longas e 10 curtas distribuídos em quatro mostras (Internacional, Latino-Americana, Infantil e Grandes Clássicos), além de workshops e oficinas.
A programação começa no dia 14 de maio, às 15h, com exposições de fotos e poesias, seguidas por apresentações musicais e circenses no MArt. Nos dias seguintes, o público poderá acompanhar debates sobre preservação de filmes, o documentário “Orgulho da Terra” e mostras infantis em Tamoios. O encerramento, no dia 17 de maio, terá show da banda Ramona Rox e a entrega do Troféu Tartaruga-Aruanã, que premiará categorias como Melhor Filme, Direção, Atuação e as melhores obras dos concursos de poesia e fotografia.





