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LUGARES DE AFETO

"Todo domingo eu vou pro Night Club": frequentadores contam histórias do antigo point dos anos 90

Boate era referência em Cabo Frio e atraía público de toda região

03 outubro 2021 - 14h51Por Cristiane Zotich

Quem curtiu os anos 90 em Cabo Frio, certamente, em algum momento, se pegou cantando a versão local do sucesso “Rrhythm of the night”, da cantora Corona: “todo domingo eu vou pro Night, pro Night, oh yeah”. Localizada no bairro de São Cristóvão, na esquina da Avenida Lecy Gomes da Costa com a Rodovia Amaral Peixoto, ela foi referência nos anos 90 não só em Cabo Frio, mas em toda a região, atraindo público de todas as cidades. Era um “lugar de gente bonita”, como definia o slogan da casa, que funcionava aos domingos com matinê, e depois com programação para maiores de 18 anos.

- Me lembro que fazia jornada dupla: às 16h eu levava meus irmãos para a matinê e ficava lá sentada esperando até acabar o baile. Depois meus pais pegavam meus irmãos na porta da boate, e eu corria pra casa de uma amiga, que morava bem perto. Trocava de roupa, esperava outros amigos, e aí começava meu segundo turno, agora no horário dos “adultos”, que era quando eu realmente me divertia. Até hoje tem umas músicas que me lembram muito o Night Club: aquela da barata Kafka, as do Technotronic, onde todo mundo fazia os mesmos passos no salão… Ainda não entendi porque fecharam. Estavam sempre lotados. Tinha uma fila enorme pra entrar. Deixou muita saudade. Foi uma época muito boa-, contou a professora Cristina Guedes Silva.

“Foi no Night que eu dei meu primeiro beijo na boca”, lembrou Diego Guedes Silva, irmão de Cristina. Na época ele tinha 12 anos, e conta que a experiência não foi das melhores. “Na matinê a gente nem dançava muito. A molecada era bem tímida e ficava reunida em grupos: meninos de um lado, e meninas do outro. Lembro que eu estava paquerando uma menina há um tempinho, mas os amigos não podiam saber porque ficavam zoando. Aí, teve uma hora que ela levantou pra ir na lanchonete. Fui de fininho e me escondi atrás de uma pilastra. Quando ela passou de volta, fiz sinal chamando, ela se aproximou, e demos um selinho. Eu achei que ninguém tivesse visto, mas na mesma hora foi uma gritaria tão grande que a menina nunca mais falou comigo. Anos depois a encontrei: tínhamos amigos em comum. Rimos muito lembrando desse dia”, contou aos risos.

Assim que a pessoa entrava no clube, o primeiro acesso era a um pátio externo onde havia bancos de concreto. De um lado do pátio ficava o salão principal, amplo e totalmente aberto, onde tocavam todos os ritmos dançantes. Do outro, havia uma espécie de túnel comprido que levava a um ambiente escuro (a única luz era na cabine do DJ), rodeado por bancos: era o famoso salão de música lenta, um diferencial do Night Club para outras boates da cidade que existiam na mesma época. Na porta de entrada do salão, um segurança impedia a entrada de pessoas que estivessem sozinhas: apenas casais eram permitidos no salão. “O mais chato de lá eram os homens que ficavam abordando as mulheres na porta do banheiro chamando pra dançar. Mas era divertido também”, contou Néia Soares.

Os mais criativos tratavam de encontrar logo uma companhia, mas nem sempre era pra namorar no salão de música lenta. “Na verdade, a gente queria entrar pra zoar com quem estava lá dentro. Então valia entrar com o irmão, o primo, um amigo… O negócio era entrar pra atrapalhar o romance de quem estava lá dentro. Sorte que naquela época não tinha celular”, contou a vendedora Nathália Rodrigues, que na época morava em São Pedro da Aldeia. Algumas pessoas eram frequentadoras assíduas. “Eu tinha carteira de sócia”, contou, aos risos, a vocalista da Banda Aquarela, Mirella Rangel, lembrando que ficava “doente” quando o pai não a deixava ir na matinê. “Fez parte da minha vida. Conheci ótimos amigos lá”, completou.

A saudade que a boate deixou é tão grande, que uma postagem dedicada ao Night Club, feita em 2015, na página “Cabo Frio Anos 80 e 90”, no Facebook, reúne mais de 430 compartilhamentos e quase 600 comentários, um deles do ex-vereador Edilan do Celular, que lembrou dos tempos em que imitava Michael Jackson. Outra que também fez questão de deixar um comentário na postagem foi a historiadora Meri Damaceno: “Eu, com toda certeza, fui umas das primeiras frequentadoras. Essas meninas aí (que comentavam a postagem) ainda usavam fraldas nesta época. Não viram Gretchem ser atacada por um doido que pulou a grade do clube”, contou.

A reportagem da Folha entrou em contato com os empresários que comandaram o Night Club para conhecer outras histórias, mas eles não quiseram se pronunciar.

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