O ator e diretor Daniel Ericsson prepara sua estreia no formato monólogo com o espetáculo "O Sonho de um Homem Ridículo", uma adaptação teatral do célebre conto de Fiódor Dostoiévski. A montagem estreia em setembro no Teatro Municipal Dr. Átila Costa, em São Pedro da Aldeia, e já tem circulação prevista para a capital do Rio de Janeiro e outros estados do país.
A peça acompanha a jornada de um homem imerso em uma profunda crise existencial e desiludido com a humanidade. Ao adormecer, o personagem atravessa uma experiência reveladora. O enredo aborda temas como depressão, solidão, busca por sentido e compaixão no mundo contemporâneo. Com 60 minutos de duração e classificação indicativa de 14 anos, a montagem busca criar uma conexão íntima e direta com o público.
A escolha da obra literária marca um momento especial na trajetória profissional do artista.
– Este é meu primeiro espetáculo solo. Desde que me formei ator já vivenciei linguagens variadas de interpretação: drama e comédia, audiovisual e teatro, direção e interpretação, protagonistas e coadjuvantes. Quando me deparei com o texto de Dostoiévski senti que estava diante de uma literatura que eu adaptaria para o teatro porque acho a mensagem importante - contou em conversa com a Folha.
Transpor a obra de um dos maiores nomes da literatura mundial para os palcos exigiu um cuidado minucioso do ator e da equipe de produção. Um dos grandes desafios dessa missão, segundo ele, foi transformar o texto literário em dramaturgia sem danificar o sentido profundo da mensagem de Dostoiévski.
– Quem abre as páginas do conto pode, eventualmente, voltar um parágrafo e reler para aprimorar o entendimento. Pode se sentir impactado por algum trecho e fechar o livro por algum tempo para depois retomar. Já no texto adaptado, tudo acontece no aqui e no agora característicos da arte do teatro, o irrepetível momento do tudo ou nada. É um desafio para a direção e para a atuação manter a conexão total com o público para que a mensagem seja íntegra, honesta e profunda - revelou. Para contar a história, a composição do palco será minimalista: apenas uma cadeira, um tapete e todo o espaço livre disponível para a atuação.
Formado pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), Daniel Ericsson possui carreira com atuações no teatro, cinema e televisão. No audiovisual, participou do filme "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, e "Querido Embaixador", de Luiz Fernando Goulart. Nos palcos, protagonizou peças como "Tuja: um coração de Van Gogh" e "Bukowski - Bicho solto no mundo", além de ter dirigido "Não Quero Choro Nem Vela - Vida e Obra de Noel Rosa" e codirigido o musical "Amargo Fruto - A Vida de Billie Holiday". Em "O Sonho de um Homem Ridículo", além de atuar, ele também assina a adaptação do texto.
Já a concepção do espetáculo conta com a direção de Francisco Paz, cientista social, ator e diretor do Gran Cine Bardot, em Búzios. Formado em Buenos Aires nos estúdios de Carlos Gandolfo e Agustin Alezzo, além de dirigir o monólogo, Francisco também está em cartaz na cidade do Rio de Janeiro com o espetáculo “O Talentoso Ripley”. A equipe técnica conta ainda com Roberta Sampaio, profissional responsável pela comunicação visual e pela concepção do figurino.
– Os ingressos serão colocados à venda muito em breve, e a melhor forma de acompanhar o processo, as datas e locais de apresentação é seguir nossa rede social oficial (@homemridiculoteatro) - destacou Daniel.



