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Coluna

Sunderland, Inglaterra, Estados Unidos e Rio de Janeiro: mais coisas em comum do que se imagina

Sunderland, no interior da Inglaterra não decidiu sozinha o destino da Inglaterra, quando esta em 2016, decidiu votar em um referendo para sair da União Europeia. Quase três anos depois, o “Brexit” ainda está sendo entendido no Reino Unido. O que se sabe

06 agosto 2019 - 18h02

Sunderland, no interior da Inglaterra não decidiu sozinha o destino da Inglaterra, quando esta em 2016, decidiu votar em um referendo para sair da União Europeia. Quase três anos depois, o “Brexit” ainda está sendo entendido no Reino Unido. O que se sabe é que o país saiu dividido depois destas eleições, e pode ser considerado como um verdadeiro terremoto na política nacional e por extensão, de toda a Europa.


A cidade de Sunderland sobreviveu por décadas de três grandes atividades, a mineração de carvão, exportado para o resto da Europa, a indústria naval, que foi muito ativa na primeira metade do século XX, e a pesca industrial. Todas estas atividades foram muito prejudicadas com a globalização, o fechamento de indústrias e, segundo os moradores de Sunderland com a entrada da Inglaterra na Comunidade Econômica Européia.


A saída da Inglaterra da União Europeia foi vendida à classe trabalhadora como a solução para uma série de problemas que comunidades como as de Sunderland vêm enfrentando há décadas. Na cidade, onde antes havia quarteirões de casas de classe média e de operários, atualmente só existem terrenos baldios, pois a população saiu da cidade em busca de melhores oportunidades em outros lugares.


Esse cenário é muito parecido com o de cidades no interior dos Estados Unidos, antes grandes centros industriais. Foi nestas cidades, que eram grandes “redutos eleitorais” de políticos do Partido Democrata, que Donald Trump recebeu uma votação maciça, derrotando os democratas em 2016.
Agora, vamos ao Brasil, mais precisamente, o Rio de Janeiro. Desde 2002, o Estado e a região metropolitana garantiram a votação dos governos Lula e Dilma Rousseff, com ampla maioria. No entanto, as eleições municipais de 2016, e para Presidente em 2018, marcaram uma virada radical nas preferências do eleitor.


Ora, o que existe de comum entre uma cidade como Sunderland, no interior industrial da Inglaterra, as cidades industriais americanas da Costa Leste Americana, e a Região Metropolitana do Rio de Janeiro? É claro que existem diferenças econômicas e culturais à primeira vista, mas mesmo assim, a meu ver, existem também alguns pontos em comum. O principal deles é o fato de que os partidos “de direita” tiveram uma sensibilidade incomum de compreender os interesses de uma população que de várias maneiras sentiu-se “abandonada” pela maneira como os partidos de “esquerda” conduziram a Economia e a Política. De certa maneira, a classe trabalhadora sentiu-se, por assim dizer, “deixada para trás”, pelos partidos que se colocavam como “progressistas”, mas distanciaram cada vez mais das suas bases populares.


Eu acho que essa história não terminou ainda. Mas uma coisa parece certa: de alguma maneira, os partidos até há um tempo considerados “progressistas” deram as costas aos trabalhadores. Ato contínuo, eles, os trabalhadores, foram bater em outra porta, e ao que parece, foram muito bem recebidos.

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