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Coluna

Incertezas

20 fevereiro 2024 - 12h15

Se compararmos a Cabo Frio de hoje com outros tempos, outros governos,  poderíamos observar, em comum, a clara degradação das políticas públicas. Só que, agora, a sensação é de que a coisa se faz de modo mais acelerado, uma agonia de desacertos, uma afobação consistente nas formas de aplicação. Ou seja, não há apenas a figura do equívoco, da ação culposa, mas, também, a consciente depredação do bem público.

Pior de tudo: sob o olhar complacente das lideranças da cidade. Outros prefeitos ousaram, mas, agora, Magdala Furtado exagera no “direito” de ousar, passando por cima do que é mais elementar na civilidade, que é o respeito ao espaço público.  Impossível acreditar que os interesses particulares estejam tão acima dos direitos do cidadão. Não fosse assim, o espaço público não estaria fatiado como numa ocupação de terras por vândalos. 

O carnaval deste ano mostrou bem esta face obscura da administração pública. Cercadinhos repugnantes e calçadas ocupadas por todo o tipo de comércio. Além disso, o domínio sem limites dos barraqueiros na areia da praia, uma balbúrdia consentida, autorizada...
Excesso de mesas e cadeiras, cobranças do que chamam “de couvert”, mas não passam de descarados aluguéis de mesas e cadeiras. Não bastasse, preços exorbitantes nos serviços prestados. 

Diante dessa enxurrada de desmazelos, o conflito a todo momento de banhistas revoltados com as “leis” da República dos Barraqueiros. Daí a um turista ser espancado e morto a pauladas foi um pulo. O carnaval cabo-friense ganhou destaque na grande mídia pela incivilidade, uma página triste da nossa história. Ninguém, absolutamente, é contra o trabalho nas praias, mas o poder público precisa ordenar e fiscalizar. Ao contrário, esse poder público é que contribui com a algazarra, com o derrame de licenças e a omissão com suas responsabilidades.

O impacto do turismo de massa é devastador para todo e qualquer destino. Todo mundo sabe disso, ou deveria. Trabalhar por um turismo sustentável é questão de competência, mas, sobretudo, de honestidade de propósitos. Afinal, não se apaga incêndio com gasolina. Mas Cabo Frio faz exatamente isso. O resultado são os dias tristes de desordem que assistimos.

É comum nessas ocasiões cobrar atitudes de vereadores e líderes das mais diferentes entidades. Mas isso nunca funciona. O obsequioso silêncio é fruto dos interesses particulares, uma vexaminosa subserviência que nos leva a acreditar piamente na máxima de que “nossos líderes não são líderes de ninguém”.