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Coluna

Panorama

19 junho 2021 - 18h17

PRIMEIRO ATO
Podemos enxergar o depoimento do ex-governador Wilson Witzel na CPI da Pandemia como uma peça escrita para três atos. No primeiro, o político teve a oportunidade de ouro para estar diante dos olhos, ouvidos e lentes do Brasil inteiro e aproveitou a chance para estruturar de modo inteligente o objeto em questão a uma narrativa cujo tom era a defesa pessoal. 

SEGUNDO ATO
No depoimento o ex-governador armou duas bombas-relógio. A primeira de que a saúde do Estado do Rio de Janeiro é comandada por milicianos, políticos e empresários; e a segunda sobre as investigações do assassinato da socióloga e ex-vereadora do RJ pelo PSOL Marielle Franco e os supostos interessados ou envolvidos. Como insinuou que isso foi o estopim do seu inferno astral com o presidente e seu grupo político, a questão agora é saber se há pólvora nesses artefatos discursivos ou se foi mera pirraça retórica. 

TERCEIRO ATO
Depois de armadas as bombas, o ex-governador prometeu a detonação em uma sessão privada com os membros da CPI na qual promete trazer todos os elementos jurídicos comprobatórios. Se provar as ilações que deu a entender, pode se tratar do maior escândalo da República em tempos democráticos. A julgar pelas reações bolsonaristas no depoimento e fora dele (como a “coincidente” colocação no ex-governador na condição de réu pelo STJ a pedido da PGR no mesmo dia do depoimento), pode ser que tal bomba não seja atômica, mas que tem carga para implodir alguma coisa... Isso tem.

LUCRO
A falácia do “tratamento precoce” mostrou-se bastante lucrativa, pelo menos para as empresas farmacêuticas. O superávit supera a escala de 8 vezes o faturamento com medicamentos convencionais. Isso com a CPI apurando relações, digamos, pouco republicanas entre algumas dessas indústrias e o governo federal. Já as vacinas...

ENSABOADO
Até o momento a CPI da Pandemia não conseguiu trazer às falas o empresário do ramo de cursos de idiomas Carlos Wizard, considerado um dos principais aliados do presidente na composição do chamado “gabinete paralelo” na área da saúde. O empresário, por sua vez, tentou emplacar sem sucesso um depoimento virtual, ganhou habeas corpus para não se incriminar e, depois de tudo isso, faltou à comissão nessa quinta. Resultado? O presidente da CPI, Omar Aziz, deseja apreender o passaporte e solicitou condução coercitiva. Lembrando que o STF já mandou quebrar o sigilo das comunicações do empresário... Deve ter muito a se explicar pelo jeito...

DESPREZO
Paulo Guedes não é um ponto fora da curva da ideologia bolsonarista. É sua camada mais profunda. A sugestão de usar alimentos fora da validade e restos do prato dos brasileiros para matar a fome no país como políticas de estado mostram o nível de indigência humanística. Isso em um cenário de privatizações, congelamento de salários, fim do abono, entre outros golpes na classe trabalhadora. Já a taxação das grandes fortunas...