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Coluna

Panorama

02 abril 2021 - 12h11

ANOMALIAS

Até o momento, a política externa brasileira era a de proclamar ao mundo o levante espiritual do Ocidente. Por “espiritual” leia-se o conjunto sistematizado de anomalias que compõem o devocional da “seita bolsonarista”. Uma delas, inclusive, aponta para uma surreal fantasia de poder total e subversão das relações institucionais, além de um interesse obsessivo nos quartéis das Forças Armadas e Polícias. Sobre esses últimos seria para formar uma grosseira milícia política? Com as armas debaixo do braço, ficaria mais simples se impor a governadores, prefeitos, magistrados e reduzir os espaços na relação com o Legislativo? Apesar das movimentações recentes apontarem para as Forças rechaçando esse reducionismo humilhante do seu papel constitucional como instituições de Estado, não faltam também entre as fardas e armas quem possa gostar ideia...

SINAIS

Sem orçamento votado e aumentando as estatísticas de emprego graças a uma nova e criativa metodologia de contagem que considera como vagas formais estagiários, temporários e autônomos, aumentam as desconfianças sobre a capacidade do país alavancar. Ao menos uma boa notícia foi a recente MP que propõe melhoria no “ambiente de negócios”, facilitando a abertura de empresas, diminuindo a burocracia para o comércio exterior, entre outras medidas para investidores e acionistas.

PEDALADA

Por falar em orçamento, dependendo do que for feito nessas negociações entre a equipe econômica e o Congresso (que diga-se de passagem está cobrando com juros sua fatura de apoio...), o presidente por ser levado a dar umas pedaladas fiscais com relação aos gastos de natureza impositiva. E um impeachment assim seria uma ironia e tanto.

FOLIA

O RJ adotou um “recesso sanitário” ou feriadão? Nas rodas políticas a confusa medida ganhou um irônico apelido: “castrofolia”, que curiosamente teve direito a uma festa promovida pelo próprio governador (que posteriormente apresentou suas desculpas pelo fato). Um dos primeiros e mais visíveis resultados, a despeito de qualquer apelo, foi o grande deslocamento de pessoas para as cidades do interior. Barreiras foram montadas e a percepção do fluxo deu a impressão de que meramente atrasou os “visitantes”. Mas em algumas cidades a comunicação oficial foi a de que foram um sucesso. Realidade ou salamaleques políticos ao Guanabara em tempos de recursos escassos e arranjos eleitorais já em pleno vapor?

MUNDO

Ainda que o foco da OMS esteja nas novas ondas da pandemia, não tem deixado de cobrar enfaticamente da China celeridade e transparência nas pesquisas sobre a origem e o progresso da doença por lá. Falando em China, ela apertou ainda mais o garrote sobre Hong Kong com uma manobra nas regras eleitorais que, na prática, vão trazer ainda mais “para dentro” a região semiautônoma. Nos EUA, o presidente Biden confirmou a previsão de vacinação de todos os adultos para maio, somada ao robusto pacote de renda e investimentos. O mundo inteiro está de olho na possível sobra de doses e sua destinação. Por fim, a Rússia anunciou que está desenvolvendo uma nova vacina contra o covid-19, mas para uso animal. Uma medida interessante.