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Panorama

29 dezembro 2020 - 18h09

RACISMO
Foram muitos os casos emblemáticos nesse fatídico 2020. É importante não esquecer o que passou o entregador do IFood Matheus Pires, as agressões ao entregador Matheus Fernandes em um shopping quando fora apenas trocar um relógio, as postagens agressivas à apresentadora Maju Coutinho, o assassinato de João Alberto pelos seguranças do Carrefour, chegando ao futebol com o caso do menino Luiz Eduardo, o “cala a boca negro” para o jogador Gerson do Flamengo na partida contra o Bahia, culminando com o resgate de Madalena Giordano que se encontrava em situação análoga à escravidão. Todos negros. Milhares de casos poderiam estar aqui. Por mais que tentem banalizar e “perfumar” o discurso, o racismo existe e resistir a ele está cada dia mais necessário. 

VACINA
Vírus não estão fora da concorrência pela existência e as mutações são suas boas apostas. A ciência está no rastro, a despeito da precariedade de testes em muitos lugares (e o Brasil é um deles), conseguindo mapear mais de quatro mil delas. Como o Brasil foi reconhecidamente inábil sob todos os aspectos, dos governos à sociedade, para tomar as medidas necessárias de modo sério, efetivo e embasado, a vacina tem se tornado não a esperança da normalidade, pois ela já foi retomada à fórceps, mas um jeito de estancar o susto da morte. O problema é novamente o Brasil. Com o surf politiqueiro de muitos governadores e prefeitos e o presidente na contramão mundial nos mais variados aspectos o que temos por hora é exatamente isso: só uma vaga ideia de como o plano nacional de imunização se tornará um plano nacional de imunização. Em tempo, as vacinas são estratégias confiáveis e a ciência combinada às novas tecnologias avançaram muito mais do que as pessoas imaginam. 

2022
Mesmo com o flagelo da pandemia as peças já estão se movendo no tabuleiro político brasileiro. As eleições para a presidência do Senado e da Câmara serão a primeira linha de combate. A aposta de Bolsonaro é emplacar os seus candidatos e construir uma base de aprovação com o famigerado “Centrão”. O restante, da centro-direita à centro-esquerda, vai tentar reverter esse quadro e transformar o Congresso em um bunker de resistência ao projeto de reeleição do presidente. Como ele pretende lançar um conjunto de pautas que são afeitas aos seus usos e costumes e aos compromissos assumidos com seu núcleo duro, há muito pano para a manga por vir. Entretanto, duas coisas são certas e cristalinas: que essa união dos “resistentes” não vai se tornar uma convergência eleitoral em 2022 (apenas vão “sangrar” Bolsonaro para cada qual tentar emplacar seu plano de poder); e que se a economia, as reformas restantes e o combate à corrupção sistêmica não forem retomados com firmeza e resultados, não haverá pirotecnia que reeleja o atual mandatário. Os tempos são outros...

A FICHA NÃO CAIU
Resultado da ação proposta pelo PDT, o novo ministro do STF Kassio Nunes Marques concedeu decisão liminar que afrouxou o garrote no pescoço dos condenados em segunda instância ou órgãos colegiados com relação a contagem do prazo de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. O argumento é de que o prazo de oito anos a contar a partir do cumprimento da condenação coloca os pendurados em uma eterna impossibilidade de voltar à arena política por causa do tempo que a justiça leva para julgar os recursos e, na prática, proferir as sentenças e encerrar os casos. Já estão circulando os questionamentos de ordem jurídica, mas o que a sociedade precisa questionar de verdade é: não era justamente para dificultar o retorno de quem cometeu ilícitos? E se a demora atual existe de quem é a culpa? Não seriam os réus os maiores produtores de recursos e efeitos protelatórios de sentença? A decisão do ministro vale, em tese, para 2020. Entretanto, a ficha não caiu...

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