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Coluna

Minha Folha

02 maio 2022 - 10h07

A palavra integridade resume a história da Folha dos Lagos, pois ela sempre foi exatamente isso, inteira. Quando se é inteiro, não se faz concessões às partes e isso significa não renunciar às premissas fundamentais que norteiam a existência, como os valores éticos, o compromisso com a verdade e a atuação com relevância social.

No Brasil são muitas as portas largas e os descaminhos pelos quais vários meios de comunicação vão e vem. Muitos delescomprometidos com as encomendas políticas, com os interesses dos que olham o jornalismo como algo que se constrói sob a vontade dos metais. Não se sustentam como imprensa justamente pela moral remunerada, direcionada aos ataques, defesas e caprichos dos seus mecenas.

A Folha vive, prospera e resiste porque faz jornalismo de verdade. Imparcial.

Particularmente, tive o privilégio de compartilhar duas décadas de história da Folha, participando, vivendo, atuando, colaborando, lendo. Assinei colunas nas áreas de política, cultura, história e atualmente, educação. Participei do dia a dia da redação, ajudando no fechamento, em informes, opinião, na prospecção de notícias. Vivi o spin-off da Folha, o Domingo dos Lagos, experiência marcante, apesar de efêmera.

Convivi com o lado festeiro dessa família em seus muitos eventos, sempre com a preocupação de trazer alegria e solidariedade. Comandei junto com o grande Moacir Cabral o projeto Cidade Viva, filho renovado do antigo Projeto Verão e que até os dias de hoje traz seus desdobramentos e permanece ativo, debatendo a cidade, colaborando na busca de soluções de seus muitos problemas.

Tive o privilégio de escrever e organizar o livro comemorativo de 25 anos do jornal, mostrando como ele pensou a cidade, as pessoas, o Brasil, o mundo, em suas páginas, ou seja, como ele nos ajudou ao longo desse tempo a construir nossa noção de realidade. E é bom lembrarmos que é a partir dessa noção de realidade que atuamos no mundo.

Apesar de professor de formação e carreira, na Folha fui e sou aluno. E foram muitos os meus mestres, fotógrafos, jornalistas, editores, profissionais de apoio. Cada um construiu um pedacinho desse trabalho. Moacir e Rodrigo Cabral, amigos, irmãos, reitores dessa universidade de saberes e vivências. Ambos, exemplos de resiliência, de respeito a uma marca que esteve e está acima de qualquer vontade.

Hoje Folha está ainda mais moderna. Passados os perrengues dos tempos iniciais (para alguns, tempos charmosos...rs) de fechar uma edição, transportá-la às prensas, buscar o produto final, redistribuir, hoje está ao alcance de um clique nas múltiplas mídias sociais e site (sem esquecer da tradicional edição impressa). As notícias são diárias, em tempo real como pede a atualidade, complementando e enriquecendo a edição impressa semanal. É a Folha se reinventando.

Parabéns e obrigado por tudo, Folha dos Lagos. Vida longa e próspera.

(*) Paulo Cotias é professor de História.