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CABO FRIO

Rafael Peçanha e Zé Bonifácio se mantêm irredutíveis sobre possível aliança

Disputa por PSB expõe dificuldade de intersecção entre os dois pré-candidatos à prefeitura de Cabo Frio

08 novembro 2019 - 19h00Por Rodrigo Branco

Enquanto nos bastidores políticos de Cabo Frio, alguns segmentos defendem a união das pré-candidaturas de Rafael Peçanha e José Bonifácio à prefeitura da cidade no ano que vem, os últimos movimentos e declarações mais recentes deixam cada vez mais clara a dificuldade disso acontecer. A disputa por aliados para a campanha eleitoral do ano que vem teve um novo capítulo nos últimos dias, envolvendo o PSB.

Sem fazer menção a apoio a qualquer um dos dois pré-candidatos, lideranças históricas do partido na cidade divulgaram um comunicado para se queixar da interferência da direção estadual da legenda, atualmente nas mãos do deputado federal Alessandro Molon, no diretório local. Uma deliberação do partido definiu que os socialistas apoiariam os pedetistas nos municípios onde não concorrerem na eleição majoritária. Outra reclamação é de que o PSB estadual mantém o diretório local provisório para melhor exercer controle sobre ele. 

José Bonifácio confirmou para a reportagem da Folha que existe um acordo entre os partidos nesse sentido, mas negou que tenha fechado com o PSB ‘por cima’, como se diz na gíria política. Ele evitou comentar sobre a briga interna entre os socialistas, mas afirma que teve conversas com lideranças locais, entre elas o médico Beto Nogueira, para tratar das eleições do ano que vem.

– Normalmente, não comento decisões internas de outros partidos. Um dos coordenadores do partido, que mora em Tamoios, me convidou para conversar no sábado. Seria feita uma nova direção com uma diretriz de acompanhar as alianças construídas no estado. Mas nunca conversei com o PSB estadual sobre apoio que relacionado à política local, só a questões referentes ao estado do Rio de Janeiro. Sempre procuro ter conversa com a direção local. Já conversei com membros do PSB, assim como tenho conversado com outros partidos, antes de procurar pela direção estadual – diz Bonifácio.

No outro lado da questão, Peçanha, de saída do PDT, rebate a fala do concorrente. O vereador de oposição diz que o apoio do PSB a Bonifácio é apenas institucional, mas que as lideranças rebeldes estão com ele.

– Desde a eleição suplementar, o PSB tem uma parceria comigo no município e a militância histórica sempre manifestou apoio à minha candidatura. E a gente tem trabalhado com essas pessoas ao longo desse tempo. Agora, o PSB estadual, por força de um acordo com o PDT em nível de estado, tem agido de maneira autoritária para forçar o partido a caminhar com o PDT aqui, no ano que vem. Pode ser que o PDT tenha o apoio do CNPJ do PSB, da instituição, mas o partido vem oco, porque o mais importante na política, que são as pessoas, não vão apoiar o PDT, mas apoiar o Rafael Peçanha – disse.

Vice de Bonifácio deve ser mulher ou líder evangélico

Apesar das pressões para se aliarem, a fim de ganhar mais força na disputa contra candidaturas conservadoras, como a do atual prefeito, Adriano Moreno (DEM), do deputado estadual Serginho Azevedo (PSL) e, possivelmente, do colega de Alerj, Mauro Bernardo (Pros), Peçanha e Bonifácio seguem irredutíveis. Embora um até estenda a mão ao outro para uma possível aliança, ambos resistem à ideia de ser o vice do outro.

Em tom diplomático, Peçanha elogiou o currículo de Bonifácio, mas disse que seu nome é ‘natural’ para concorrer à possível sucessão de Adriano. Para ele, os argumentos para defender a candidatura do veterano político são ‘sentimentais e não racionais’.

– Fui testado nas urnas na eleição suplementar. Tenho um grande respeito ao José Bonifácio, mas nosso nome está sendo construído naturalmente, desde a eleição suplementar. Existe um grupo que defende que essa pré-candidatura, como algo que não se deve abrir mão e a pré-candidatura do Bonifácio surgiu há pouco tempo. Ele passou boa parte desse últimos anos fora da cidade, sem se envolver na política local. Não estava presente em todas as lutas que travamos contra todos os absurdos que aconteceram nos governos Marquinho, Alair e Adriano. Não é uma crítica, é um posicionamento – explica.

Em estágio avançado de conversas com lideranças comunitárias e religiosas, Bonifácio foi enfático ao dizer que não vai desistir de concorrer à prefeitura. Nos planos, Peçanha sequer seria vice, em uma hipotética chapa.

– Estamos num impasse. Nem o Rafael quer abrir mão da candidatura dele para mim e nem eu vou abrir mão da minha candidatura para ele. O que tem surgido nas últimas semanas é que os companheiros sugeriram começar a procurar uma mulher ou um candidato com respeito no movimento evangélico. Então, está prevalecendo a busca de se encontrar mulher ou evangélico – antecipa, sobre o perfil do companheiro de chapa. 

Procurado, o médico Beto Nogueira não alimentou polêmica sobre a questão local, mas confirmou que as lideranças cabofrienses vão mesmo apoiar Peçanha. Ele confirmou que teve conversa com Bonifácio e a boa relação com o ex-prefeito.
– Foi uma conversa agradável. Eu o conheço há mais de 40 anos. Temos uma relação política e de amizade muito grande. Não há nenhum ranço em relação a ele. O nosso questionamento é com as lideranças regionais. Fizeram acordo e passaram por cima – disse, reiterando o teor do comunicado. 

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