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Prolagos avança em obra na ETE Praia do Siqueira em meio a críticas por poluição na orla

Concessionária deu início à concretagem de novo decantador em Cabo Frio, mas evita questionamentos da Folha sobre degradação da laguna

19 agosto 2026 - 14h57Por Redação
Prolagos avança em obra na ETE Praia do Siqueira em meio a críticas por poluição na orla

Falta pouco para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Praia do Siqueira, em Cabo Frio, se tornar uma das mais modernas da Região dos Lagos. Depois de mobilizar mais de 50 trabalhadores na concretagem da laje de fundo de um dos novos decantadores da unidade, a concessionária se prepara agora para a reta final da obra. A próxima etapa prevê a instalação dos sistemas eletromecânicos, incluindo um moderno sistema de aeração por difusores, e as unidades de adensamento e desidratação de lodo, tecnologias que, segundo a empresa, devem elevar a eficiência operacional da estação.

Iniciada em março de 2024, a primeira fase das obras de ampliação e modernização do sistema custaram cerca de R$ 100 milhões. Foram instalados os equipamentos que fazem o tratamento inicial do esgoto, com retirada de detritos maiores, como areia, gordura e resíduos sólidos. Em junho de 2025 teve início a segunda fase, com anúncio da construção de dois decantadores e tanques com um sistema de aeração, e um sistema de desinfecção. Segundo a Prolagos, todo esse processo vai ajudar a eliminar a matéria orgânica do esgoto, deixando o efluente muito mais limpo antes de voltar para o meio ambiente. O custo total da obra gira em torno de R$ 450 milhões e a previsão de conclusão é para o final deste ano.

No entanto, ao ser questionada pela Folha sobre qual vai ser o impacto real dessa obra na laguna de Araruama, especialmente no trecho da Praia do Siqueira, a concessionária, mais uma vez, não respondeu. Disse apenas que “a obra de ampliação e modernização da ETE Praia do Siqueira vem acontecendo dentro do cronograma previsto e vai transformar a unidade em uma estação de nível terciário, ampliando de forma significativa a qualidade do efluente tratado”. Reforçou ainda que “o esgoto tratado em todas as estações de tratamento é atualmente devolvido ao meio ambiente dentro dos padrões ambientais estabelecidos”.

Além de moradores e pescadores, o Ministério Público Federal também já contestou a eficiência dos equipamentos da Prolagos na Praia do Siqueira. Em março deste ano, após uma vistoria no local, o procurador da República, Leandro Mitidieri, confirmou que a inspeção flagrou as comportas de esgoto da concessionária abertas em um dia sem chuva, exalando um forte odor de gás sulfídrico. Na ocasião, a Folha também ouviu o professor Adacto Ottoni, titular de Engenharia Ambiental da UERJ. Ele acompanhou a vistoria e contou que o cenário encontrado indicava irregularidades no sistema de saneamento local. A Prolagos negou as irregularidades apontadas pelo MPF.

No início deste mês foi o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) quem confirmou a existência de trechos com concentração de bactéria de origem fecal acima do limite considerado seguro para banho. Além da Praia do Siqueira, o levantamento feito pelo órgão também citou problemas em vários trechos da laguna em São Pedro da Aldeia. O documento do órgão estadual atribuiu a degradação encontrada ao despejo contínuo de esgoto sem tratamento nos vários pontos vistoriados. Mais uma vez a Prolagos negou a existência de problemas.

A situação da laguna de Araruama na Praia do Siqueira é um dos pontos mais críticos. A Prolagos assumiu a concessão dos serviços de saneamento na Região dos Lagos em 1998, mas os indicadores do Inea mostram que a orla acumula um longo histórico de contaminação por esgoto. Desde que o órgão estadual começou a divulgar os boletins de balneabilidade, em 2010, o trecho permaneceu impróprio para banho em quase a totalidade do período, figurando como próprio para banho em apenas 39 meses. O cenário de poluição nesse trecho da laguna se mantém até hoje.

Já a dragagem anunciada pela Prefeitura de Cabo Frio e Governo do Estado para remoção de sedimentos segue paralisada por recomendação do MPF. O órgão constatou que a dragagem estava retirando areia em vez de lodo e operando sem as barreiras de contenção flutuantes adequadas.