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VIOLÊNCIA

Polícia ainda não sabe quem matou influenciador digital em Cabo Frio

Pepi foi encontrado morto dentro de casa, nesta terça (14), com marca de perfuração e corte no pescoço

15 março 2023 - 20h38Por Redação
Polícia ainda não sabe quem matou influenciador digital em Cabo Frio

Policiais da 126ª Delegacia de Cabo Frio ainda não sabem quem matou o influencer Felipe Prado, conhecido como Pepi. Prestes a completar 39 anos nesta sexta (17), ele foi encontrado morto na casa onde morava, no bairro Porto do Carro, na manhã da última terça (14). No corpo foram identificadas marcas de perfuração e corte na parte de trás do pescoço. Segundo a polícia, horas antes do crime Pepi teria deixado uma festa acompanhado de um homem que ainda não foi identificado, mas que é apontado como principal suspeito do assassinato. O enterro aconteceu nesta quarta (15) no Cemitério Santa Isabel, no Portinho. 

Embora a polícia ainda não confirme, amigos estão tratando o caso como suspeita de crime de homofobia. Em conversa com a Folha, Rodolpho Campbell, presidente do grupo Iguais (ONG que desde 2007 atua no combate aos casos de LGBTfobia e outras práticas discriminatórias), disse que um advogado está acompanhando o caso de perto.

— Segundo ele nos contou, a cena do crime, a princípio, sugere que houve encontro amoroso. Tentaram levar a moto dele, e a bolsa estava vazia. O celular também está desaparecido — contou.

Em nota oficial, o grupo Iguais lembrou que "a violência contra a população LGBTI+ é um problema grave e recorrente em nossa sociedade, e não podemos permitir que mais vidas sejam ceifadas por conta de preconceitos e discriminações". A ONG também informou que acompanhará de perto as investigações sobre o crime e cobrará justiça dos órgãos competentes. "É imprescindível que sejam apuradas as circunstâncias do homicídio e que os responsáveis sejam punidos de acordo com a lei".

Nas redes sociais, a morte de Pepi gerou comoção. Ex-colunista da Folha dos Lagos e amigo pessoal da vítima, Matheus Sherman (que hoje é DJ em Los Angeles, nos Estados Unidos) demonstrou sua tristeza e indignação com o crime. 

— Nada do que eu escrever aqui vai diminuir a dor que estou sentindo nesse momento estando longe dos meus amigos e da minha família. Minha vida, hoje, perdeu o brilho, a cor, com a sua partida meu amigo Pepi Legal. Me sinto tão frágil evitando olhar pro meu celular porque tudo hoje me faz lembrar a nossa amizade, me faz lembrar seu sorriso puro e verdadeiro. Meu irmão Felipe, que a vida me presenteou, você foi um anjo na minha vida. Que privilégio ter sua amizade. Um amigo fiel com uma energia e uma luz que cativava todos a sua volta. Meu amigo, que covardia o que fizeram com você, mas eu tenho fé em Deus que a justiça será feita. Descanse em paz e olhe por nós aí de cima. Eu te amo pra sempre — escreveu.

O ex-vereador cabo-friense Dirlei Pereira contou que praticamente viu Pepi nascer. 

—  Amigo de infância da minha filha, Felipe Prado, o influencer Pepi, sempre que me encontrava na rua saía correndo ao meu encontro pra me abraçar e perguntar pela Marcela. Meu Deus, sem palavras pra traduzir o tamanho da minha tristeza e da minha dor.


LEVANTAMENTO APONTA 22 CASOS DE TRANSFOBIA

E HOMOFOBIA EM CABO FRIO ENTRE 2021 E 2022


Em 13 de junho de 2019, o Superior Tribunal Federal (STF) determinou que discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é crime, enquadrando a conduta na Lei de Racismo. Além disso, Cabo Frio possui a Lei Municipal Nº 2.334, de 7 de janeiro de 2011, do então vereador Aires Bessa, que institui o Dia Municipal de Combate à Homofobia, a ser lembrado anualmente no dia 17 de maio com ações de conscientização promovidas pelas Secretarias de Educação e Turismo.

Apesar das leis, registros de atendimentos realizados pela Superintendência LGBTI+ da Prefeitura de Cabo Frio entre 2021 e 2022 revelam 22 casos de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero: foram 19 de transfobia e três de homofobia. Transfobia é a discriminação e o preconceito contra pessoas transgênero ou aquelas que não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer. Já a homofobia é o preconceito, a discriminação e a aversão a pessoas homossexuais ou a quem é percebido como tal. Ambos os casos podem incluir comportamentos como violência física ou verbal, exclusão social ou institucional e até mesmo a recusa em reconhecer a identidade de gênero da pessoa.

O documento enviado à Folha revela que entre os 22  casos, três foram tentativa de transfeminicídio (quando uma pessoa sofre tentativa de assassinato pelo simples fato de ser transsexual). Os demais foram episódios de preconceito e agressão verbal, física e psicológica. Ao todo, eles aconteceram dentro de escolas públicas e privadas (8), em prédios da rede básica de saúde (3), em casa (2), em locais públicos (6) e até no local de trabalho (3). 

Esses dados, segundo o relatório, “demonstram a persistência da discriminação e violência sofrida pela comunidade LGBTI+ e ressaltam a necessidade de promover a conscientização e a tolerância em relação à diversidade de gênero e sexualidade”.

— A assistência oferecida pela Superintendência inclui suporte legal para garantir o acesso aos direitos e proteção dos usuários em casos de discriminação, acompanhamento psicológico para lidar com os traumas e estresse emocional decorrentes dos incidentes, e apoio social para ajudar os usuários a lidar com as consequências de tais situações em sua vida pessoal e profissional - afirma o documento, onde a órgão municipal reafirma seu compromisso em fornecer “suporte integral e efetivo para a comunidade LGBTI+ e em promover a igualdade e o respeito por todos, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero”.