No próximo dia 6 de setembro Cabo Frio estará representada na grande final da 56ª edição do Festival Nacional da Canção (FENAC). A cantora Juliara Ghiner vai interpretar “Respeito”, música de autoria do também cabo-friense Frederico Santa Rosa, e que faz parte das 24 selecionadas entre um total de mais de 1200 músicas inscritas de todo o país. A apresentação de todos os semifinalistas vai acontecer nesta sexta (4) e sábado (5) na Praça do Fórum, em Boa Esperança/MG. No domingo (6) será anunciado quem vai ganhar o cobiçado troféu Lamartine Babo.
– Os preparativos estão bem corridos. O festival está acontecendo desde o último final de semana de julho. A nossa fase de competir e se classificar para a semifinal foi no último dia 28, e no dia 27 foi o meu aniversário, então foi um presente estar na semifinal – contou a cantora em conversa com a Folha.
Juliara é de Cabo Frio e há anos atua no mercado musical. No repertório, além de canções autorais, também tem MPB, samba, pagode e músicas internacionais. Em 2016 a artista ganhou visibilidade nacional ao participar do The Voice Brasil: na audição às cegas ela cantou "Serrado", de Djavan. Em 2019 Juliara venceu o Festival de Novos Talentos, em Rio das Ostras, interpretando "Love on Top", de Beyoncé.
– Estou muito feliz, muito emocionada e muito honrada em participar de um festival tão grande, que reúne vozes de todos os cantos do Brasil, de todos os estados do Brasil. E poder estar participando desse evento tão grande, que já existe há 56 anos, é de extrema importância. Não só para nós, como compositores, mas pra mim também, como cantora, porque tem toda uma classificação, um júri que julga tanto a letra e a composição, quanto a interpretação, a colocação de voz, impostação, timbre e presença de palco, todas essas coisas mais artísticas que a gente leva muito em conta. Eu me cobro muito, sou muito crítica comigo mesma. Então, participar e estar dentro desse quadro de artistas, em um número tão reduzido de 1.200 para 24, é uma coisa imensurável, um sentimento de muita alegria, de muita gratidão. Estou me sentindo muito honrada em estar participando desse festival – revelou Juliara.
Para a cantora, pisar no palco do FENAC tem um sentido muito profundo para quem vive de música. Isso porque até hoje o festival preserva a essência dos grandes encontros que deram origem à própria MPB. Foi no ambiente dos festivais musicais que o mundo conheceu a força de vozes e de composições de nomes como Elis Regina, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Jobim, Gal Costa, Geraldo Vandré e Edu Lobo.
Apesar da música “Respeito” estar na final do Festival Nacional da Canção, o público ainda não pode ouvir a composição em nenhuma plataforma de streaming. É que, segundo Juliara, a música não foi oficialmente lançada.
– Estamos esperando passar o festival. Talvez a gente regrave porque, na minha concepção, ela ainda não está boa para ser publicada. Mas nós temos ao nosso lado o Rafael Sena, que é um grande produtor musical. Ele produz o show da Raylane (Mendes), produz coisas para a Globo, produz muitas coisas que a gente vê aí na televisão. Ele tem uma história extensa no meio musical. Então, acho que regravar com uma qualidade melhor não vai ser um grande problema. Ela é uma música muito maravilhosa, mas eu acho que a gente precisa ainda ajustar algumas coisas para poder subir em todas as plataformas de áudio, para todo mundo conseguir escutar – explicou.
Todo esse cuidado de Juliara para lançar a música tem um motivo: o significado por trás da melodia e da letra.
– “Respeito” significa, para mim, a forma como todas as pessoas deveriam ver a vida e levar a vida. É como eu penso, é como eu tento conduzir minha vida. Sempre respeitando o espaço do outro, respeitando as escolhas do outro, respeitando a opinião do outro, a colocação do outro. Eu sou uma pessoa que não gosto de discutir: a partir do momento que eu falo uma coisa, e a pessoa concorda ou discorda, é isso. Não quero convencer a outra pessoa de nada: quero colocar a minha opinião, quero que a outra pessoa coloque a opinião dela, e que a gente se respeite nisso, ponto. Só que essa música fala em relação ao racismo, em relação à xenofobia, em relação à gordofobia, em relação à classe social... É uma música muito forte, que fala dos cenários da nossa vida. Se as pessoas respeitassem umas às outras, o mundo seria muito melhor. A gente estaria vivendo numa sociedade muito melhor. Então isso é o que eu acho que significa a música “Respeito” – revelou.
À Folha, Juliara também falou da conexão com a música no momento em que ela estava sendo composta junto com Frederico Santa Rosa.
– Desde o primeiro momento que eu escutei “Respeito”, eu falei: “essa é a música que eu vou cantar, essa é a música que eu vou gravar, essa é a música que vai passar no festival, essa é a música”. E sempre foi uma coisa engraçada, porque eu não sei se por conta da minha identificação instantânea com algumas partes da música, ou se pela musicalidade, mas eu senti exatamente isso, “essa é a música que eu quero cantar, essas são as coisas pelas quais eu quero lutar, pelas quais eu quero falar e quero que as pessoas ouçam e repensem algumas coisas na sua própria vida, ou como estão conduzindo a sua vida”. E uma coisa que me atrai muito é o grau de dificuldade das coisas. É claro que a gente não quer que tudo seja difícil o tempo todo, mas o grau de dificuldade dessa música é uma coisa que me atrai, que mexe comigo, que me desafia. Não é uma música simples de cantar por conta da respiração: tem muita letra. É uma música forte e você precisa passar a intenção. Você está interpretando. Então, tudo me fez ficar apaixonada por ela - contou.
Sobre a parceria com Frederico Santa Rosa, Juliara conta que é algo antigo, que aconteceu de forma natural através da bandeiraça de Deus. A cantora também revelou que presta serviços para a escola da família de Frederico.
– Nós temos essa relação de trabalho, e também fazemos músicas. Temos ainda um trabalho infantil, com músicas infantis. É uma parceria de longa data. A gente se entende só de olhar. E a parceria dessa música foi isso: ele já tinha o corpo da música, já tinha a letra, e me apresentou, e eu gravei a música. Inclusive foi num dia que eu nem tava muito bem, eu tava rouca. E aí, num belo dia, ele falou “olha, tem um festival, e vou colocar essa música”. E eu falei “como assim?”, aquela coisa da cobrança, de que eu nunca estou muito satisfeita com as minhas coisas. E eu falei, “não, vamos regravar, vamos fazer de novo, agora eu estou melhor”. E ele disse que não dava tempo, que ia colocar essa gravação mesmo, e foi. E aí, ele me falou que o gatilho dessa música foi uma conversa que a gente teve em relação ao respeito pelas pessoas. Ele falou “quem me fez pegar algumas algumas coisas dessa música, algumas partes dessa música, foi você”. Respeito é sobre entender um pouco o meu lugar e o lugar do outro – explicou.



