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Escritora Gessiane Nazario participa da Flip Preta, em Paraty

Autora de 'Revolta do Cachimbo a luta pela terra no quilombo da Caveira' e 'Aspino e o Boi' falará sobre literatura infantil e ancestralidade quilombola no Quilombo do Campinho

19 julho 2026 - 20h14Por Kauã Barreto

A professora, pesquisadora e escritora quilombola Gessiane Nazario participa, no dia 25 de julho, às 14h, da mesa "Infâncias Negras", na quarta edição da Flip Preta, que ocorre de 24 a 26 de julho no Quilombo do Campinho, em Paraty. A atividade reúne ainda a escritora Taís Espírito Santo e a historiadora Silvana Santus, com mediação de Janaina Siqueira.

Pedagoga com mestrado e doutorado em educação escolar quilombola, Gessiane leva para os livros a mesma pesquisa que desenvolve em sala de aula.

— A literatura infantil brasileira nasceu racista, e nosso papel é desconstruir isso. Precisamos de narrativas que reflitam a realidade das crianças negras e quilombolas — defende a autora.

Foi na primeira edição da Flip Preta, em 2023, que ela lançou "Revolta do Cachimbo — a luta pela terra no quilombo da Caveira", pela Sophia Editora, relato da disputa por terra travada pelos quilombolas da Caveira. Seu segundo livro, "Aspino e o Boi", também pela editora cabo-friense, é inspirado nas memórias do avô.

Neste ano, além da Flip Preta, Gessiane expõe "Aspino e o Boi" no dia 23 de julho, na Casa da Favela, espaço de literatura periférica dentro da programação da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Em 2024, ela já havia participado da Flip oficial pela própria Sophia Editora.

Do Quilombo da Rasa, em Armação dos Búzios, e docente da rede municipal, Gessiane integra também um projeto ainda em construção, a Academia de Letras Pretas de Cabo Frio, ao lado de outras intelectuais negras da Região dos Lagos, como Margareth Ferreira, Nilma Teixeira Acioli e Alda Dutra.

Sobre a criação desses espaços, afirma:

— Se nós não criarmos os nossos espaços, nós não desbravamos. Vamos continuar sendo invisibilizados por conta do racismo sistêmico que nos exclui.

Para a escritora, participar do encontro no Quilombo do Campinho tem peso especial:

— Eu tenho certeza de que será um evento maravilhoso, arrebatador, porque são os quilombolas do Campinho. Lá eles têm uma organização, é uma comunidade importante para a luta quilombola aqui no Estado. Foi ali o núcleo de onde saiu a organização das outras lutas, das outras comunidades. Sinto-me muito honrada mesmo de ter sido convidada pela segunda vez para participar desse evento. E que seja mais um evento potente, que ele tenha vida longa e que os organizadores desses grandes eventos possam ter um olhar mais cuidadoso e especial com os artistas quilombolas, para que nós não sejamos mais excluídos desses espaços.