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Coluna

Tá na hora de mudar a regra

21 abril 2023 - 06h00

Até a Copa do Mundo de Futebol disputada no México em 1970, não havia cartão colorido no bolso do juiz. Era apito e saliva. Muita saliva para repreender as faltas duras disparadas dentro do campo. Isso não queria dizer que a impunidade corria solta. Jogadores eram expulsos. E outros continuavam em campo mesmo sangrando a camisa ou o meião.

De início eram necessários dois cartões amarelos para que o jogador ficasse pendurado. Só o terceiro seria vermelho. Hoje as regras ficaram mais rígidas. Há, por exemplo, a possibilidade de um jogador ser expulso diretamente. Ainda que não tenha recebido nenhum cartão amarelo no jogo.

Sou a favor da aplicação do cartão vermelho direto. Quem entra em campo para jogar bola deve ser preservado. Já quem entra para dar pontapé, deve rapidamente refazer o caminho de volta para o vestiário.

Outra novidade, colhida das alterações mais recentes das regras do futebol, é o cartão para jogadores reservas, técnico e comissões técnicas. Faz pouco tempo que do banco de reservas chovia uma saraivada de palavrões, reclamações, gestos e deboches que, até certa medida, os árbitros desconsideravam.

Agora a coisa mudou. É cada vez mais comum expulsão de jogadores reservas, que voltam para o chuveiro sem sequer terem suado a camisa. Outra novidade é a aplicação do vermelho para técnicos, preparadores físicos, auxiliares e todo enxame que sobrevoa o comandante.

Nesse caso, não posso deixar de ilustrar a situação com o exemplo do Abel Ferreira, técnico do Palmeiras. Em seu livro “Cabeça fria, coração quente: uma viagem pelos bastidores da equipe técnica” (Ed. Garoa Livros, 2022), ele ressalta a importância de estudar o futebol. E de ter sangue frio para tomar as decisões certas.

Concordo com ele num ponto. O futebol tem quatro pilares fundamentais: técnica, tática, preparo físico e equilíbrio mental. Uma equipe que saiba equacionar esses elementos estará sempre disputando as primeiras posições. Porque escolherá a melhor opção para se livrar de cada desafio.

Por outro lado, me chama muito a atenção o aspecto comportamental do Abel na beira do campo. Cabeça fria é a qualidade que ele, rodada a rodada, campeonato a campeonato, demonstra não ter. No comando do Palmeiras coleciona expulsões. Na primeira rodada do campeonato brasileiro 2023 já apresentou seu cartão de visitas sendo expulso no jogo contra o Cuiabá.

Talvez seja uma estratégia do Abel? Assim os críticos se esquecem dos jogadores e miram sua artilharia exclusivamente para o técnico que, se tiver mesmo cabeça fria, finge estar preocupado. Enquanto tranquiliza os jogadores e continua ganhando títulos como nenhum outro no Brasil. Talvez!

Como as regras mudam, eu diria que estamos próximos de assistir às novidades. O coro daqueles que clamam por medidas punitivas mais enérgicas àqueles técnicos que rugem trovoadas e chutam microfones a beira do campo, cresce a goelas largas. Penso que os dias do Abel esbravejador estão contados. Enquanto isso ele berra, é expulso e logo volta. Sem aprender nada.

No futuro, um cronista esportivo dirá, estupefato: “Até 2023, no Brasil, os técnicos xingavam árbitros e bandeirinhas, brigavam com a comissão técnica adversária, precisavam ser contidos para não trocarem socos com seus desafetos de 90 minutos. E no fim, levavam apenas um jogo de suspensão”.