quinta, 19 de março de 2026
quinta, 19 de março de 2026
Cabo Frio
27°C
Magnauto
Coluna

Só o chifre nos une

19 março 2026 - 13h41

O chifre derruba as diferenças entre as classes sociais e iguala a todos. Seria ele uma estratégia comunista? Embora pareça que não, ninguém está livre de sofrer desgraças e perturbações enquanto estiver vivo. Há quem diga que a única certeza que temos é a da morte, mas eu vou além: estou convicto de que uma série de inconvenientes pode ser experimentada enquanto o coração bate e a alma faz morada no corpo. Ninguém escapa das desventuras; pobres e ricos, gênios e burros, esquerdistas e direitistas, todos sofrerão algo. A roda da fortuna está sempre girando e não há como pará-la.

É claro que há infortúnios de diferentes tipos. Não sejamos ingênuos de imaginar que os problemas da família Rothschild são os mesmos enfrentados pelos Souza que moram no Morro do Cavalão — lá, num barraco sem ventilação cruzada e com esgoto a céu aberto. Há muitas camadas, imensas disparidades entre os seres humanos. Sofrer é democrático, mas o tipo de sofrimento é condizente com a classe e a condição de cada um.

Apesar de toda essa discrepância entre os homens, dia desses eu percebi que havia uma atribulação praticamente universal. A tragédia é tamanha que transcende eras, hierarquias, culturas, países, continentes e até mesmo divisões sociais e econômicas: trata-se do adultério. Sim, amigos, ele é feito vírus da gripe, que ataca tudo e a todos.

Cá no Brasil, o chifre é acontecimento tão recorrente (sobretudo se você mora no estado do Rio ou no Nordeste) que talvez até pudéssemos dizer que é coisa nossa — feito o avião, a crônica, o ovo colorido de botequim ou a famosa expressão “tem, mas acabou”. Os antropólogos dizem que a praia é o que há de mais democrático no país, mas isso é mentira, pois só há praia no litoral, enquanto a galha abunda por todos os cantos. Ninguém escapa.

E, quando digo ninguém, estou sendo bem realista. O último bafafá da internet sobre traição envolvia uma famosa e jovem musa fitness da zona sul carioca. Parece-me que nem a belíssima loirinha escapou de ter a cabeça ocupada — e, igual a ela, quantas outras celebridades (mulheres e homens) de calibre similar não foram passadas para trás? Nem mesmo a beleza estonteante de um corpo escultural é capaz de frear o ímpeto vil do traíra.

Se o chifre possui essa particularidade de ultrapassar barreiras e diferenças sociais, é de se suspeitar que ele seja uma artimanha para concretizar o comunismo. E faz sentido: estando presente em todas as classes, afetando do pobre ao bilionário, a galha iguala todos e todas — e, sobretudo, promove um dos grandes objetivos do Manifesto: a socialização dos meios de (re)produção.