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Coluna

O primeiro passo

26 março 2022 - 11h34

Na década de 90 a palavra empreendedorismo se popularizou no Brasil. Palavra que vem do latim Emprehendere, tem como significado “segurar diante de si”. 

Faz sentido, né? Já que a pessoa empreendedora é aquela que assume riscos e não deixa as oportunidades passarem.
Segundo o Sebrae, no ano passado houve um aumento de 53,9% em relação a 2018 na abertura de novas empresas. Os Microempreendedores Individuais representam 80% desses negócios.

Apesar do ato de empreender ser visto como oportunidade de criar algo, no Brasil o empreendedorismo vem da necessidade de ganhar dinheiro de alguma forma.

O IBGE divulgou em dezembro de 2021 a taxa de desemprego nacional que ficou em 11,6%, o dobro da média mundial. 
Muitas pessoas se viram obrigadas a repensarem suas carreiras e arriscarem em novos negócios, além do aumento da terceirização de serviços.

Outro dado que não muda é a taxa de sobrevivência das empresas. O último estudo do IBGE, realizado em 2019 informou que apenas 40% das empresas passam dos 5 anos de atividade.

Por que isso acontece? A falta de preparação para entrar nesse novo universo é o principal motivo. 

Quando olhamos para o empreendedorismo feminino, que corresponde a 48% das empresas no Brasil, esse problema se intensifica. As mulheres empreendem em sua maioria por necessidade, seja de colocar comida na mesa, passar mais tempo com os filhos ou fazer renda extra. Com jornadas que às vezes é tripla, o cansaço, falta de tempo e dinheiro, não permitem que essas mulheres invistam em estudo. 

Aliás, falta de tempo é um problema unânime. Garantir o crescimento do negócio, realizar vendas, compras, gerir pessoas, cuidar do dinheiro, etc. são coisas que fazem parte da rotina de quem empreende. Simplesmente não há tempo para se qualificar. É comum ver empreendedores trabalhando sábados e domingos.

Mas, antes de falar sobre empreendedorismo precisamos rever a nossa relação com as finanças. Poucos foram os que tiveram a oportunidade de ter uma educação financeira e conseguem falar sobre dinheiro abertamente, isso acaba refletindo diretamente nas empresas e nas tomadas de decisão.

Quando temos alguma informação sobre como lidar com o dinheiro, aprendemos em casa. E ao longo da vida trazemos conosco todas as crenças dos nossos tutores. Há as crenças de que você não pode gastar nada porque você pode perder tudo em algum momento ou pior ainda, que você deve gastar tudo, afinal você trabalha tanto...entre outras.

Mas pra que estudar sobre isso?

Só dinheiro na conta já resolveria seu problema? Um prêmio instantâneo de 1 milhão de reais e tudo fica bem pra você? Como você gastaria esse dinheiro? Já reparou em quantas pessoas ganharam na loteria e realmente perderam tudo?
É preciso conhecer o dinheiro, saber pra que ele serve. E é sobre isso que vou falar hoje. 

Nós temos um padrão de comportamento de consumo, todo mês temos os mesmos gastos. Com água, luz, comida, aluguel, etc. São gastos obrigatórios, todo mês estão lá. E são eles que garantem que você viva com dignidade. Essa é a primeira função do dinheiro na sua vida. E é a primeira coisa que você vai direcionar seu dinheiro quando receber.

A segunda função é a de nos proporcionar qualidade de vida. Não vivemos só para pagar boletos! Comprar uma roupa, almoçar fora, fazer um curso ou uma viagem. Qualidade de vida é o que nos faz entender porque trabalhamos tanto. Quando montar sua planilha de gastos ou anotar no seu caderninho, não se esqueça de incluir tudo o que te faz bem, mas que esses gastos estejam dentro da sua realidade.

Te preparar para o futuro é a terceira função. Fazer investimentos, guardar uma parte de tudo o que você ganhar para quando você não tiver mais tanta disposição para o trabalho.  E a última função do dinheiro é a doação, ajudar nossa comunidade, nossa família ou até mesmo presentear alguém.

Com isso em mente, você gastaria aquele R$ 1 milhão da mesma forma?

Eu sou Marcelle Ponté, engenheira de produção, especialista em gestão de negócios, empreendedora há 12 anos e eterna curiosa.

Começo essa coluna aqui na Folha dos Lagos para passar minha experiência e vivência no campo das finanças e empreendedorismo. Te convido a embarcar nessa jornada comigo