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Coluna

Maraca ameaçado

25 agosto 2023 - 10h18

Quando inaugurado em 1950 o Estádio Jornalista Mário Filho, nosso popular Maracanã, tinha capacidade para receber 155 mil pessoas. Hoje talvez chegue aos 79 mil. Claro, espremendo um pouco um bumbum aqui, outro ali. E sem anunciar tal barbaridade tropical para a FIFA, a CBF e outros bastiões recatados, dos bons costumes nos estádios.

O Maraca encolheu! Mas não é por isso que Flamengo, Fluminense e Vasco agora andam pelas portas dos tribunais. Desde 2019 a dupla Fla-Flu (que aqui eu uno com um traço de união e não com o X da rivalidade) administra o estádio. Leia-se, arca com os custos operacionais e administrativos necessários para que o espaço possa ser utilizado. O problema é que a licitação, concedida a dupla, pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, foi feita sem concorrência pública.

Não há dúvida de que o Estado não quer e não sabe administrar o Maracanã. Por isso, entregou a concessão, às pressas, ao primeiro que chegou. Assim, manteve o estádio em funcionamento, pediu regalias, como ingressos gratuitos, camarotes e comes e bebes. E isso sim é que é selvageria. Sujeira da grossa, de calibre político.

O Vasco, por sua vez, tem o lindíssimo e histórico estádio de São Januário. Mas sabe que mandar alguns jogos importantes no Maracanã faz diferença. Sobretudo porque sua imensa torcida é capaz não somente de encher qualquer estádio no Brasil afora, como também de fazer barulho e empurrar o time quando o time mesmo já parece ter arriado os meiões.

O argumento cruzmaltino que esse mês, mais uma vez entrou na justiça e conseguiu liminar para usar o estádio, é simples. O Maracanã é um bem público. Portanto, nenhum clube do Rio de Janeiro pode ser privado de usá-lo.

Já a dupla Fla-Flu usa da legalidade dos contratos para bater o pé e negar a presença do Vasco como mandante. Afinal, perguntam, quem vai pagar a conta? Por outro lado, ainda há o problema do gramado, que não aguenta três equipes se revezando semanalmente no arrancar de tufos verdes com as travas das chuteiras.

Dessa novela carioca, sobra para minha crônica o medo. Afinal, se eu fosse classificar a narrativa em algum gênero, o colocaria em “Terror-mistério”.

Pensem: O Governo do Estado do Rio de Janeiro não arcará com as despesas do Maracanã sozinho. E não terá competência e habilidade para gerenciá-lo para, inclusive, lucrar com sua posse. Caso, a dupla Fla-Flu perca ou desista da concessão, quem assumirá a responsabilidade da administração? Sozinho o Vasco não fará, porque já tem São Januário para cuidar. O Botafogo tem o Engenhão para viver e jogar. E aí?

E aí, que pode ser o fim do Maracanã. Primeiro mergulhado no ostracismo. Depois a grama dando lugar ao capim. Os reparos que de tantos a serem feitos não mais compensariam o investimento. E, por último, um grande infeliz com uma ideia pequena, de construir um desértico estacionamento. Tantos carros nessa cidade de vagas escassas...

Meu medo, é que o Maraca chegue ao fim, antes mesmo de completar 80 anos.