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Coluna

FIFA: a fantástica fábrica de poderosos

24 março 2023 - 07h00

Esse mês, o suíço Gianni Infantino foi reeleito presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol). No pleito, a posse foi laureada por grande aclamação. Os poucos oponentes ainda não conseguiram sequer reunir forças suficientes para fazer críticas em tom maior.

Ainda assim, Javier Tebas, presidente da liga espanhola (La Liga), e Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, estão à espreita. Aguardando uma pisada de bola maior por parte de Infantino para se projetar através de críticas, muito mais políticas do que futeboleiras.

A momentânea solidez política de Infantino se sustenta sob o popular estandarte do “combate a corrupção”. Foi assim que ele se projetou como um aguerrido e destemido cavaleiro focado na nobre cruzada de higienizar a FIFA de suas relações escusas. À época, em 2015, ele liderou o grupo que propôs reformas éticas na entidade máxima do futebol e retirou do poder o também suíço Joseph Blatter.

Mas deve ficar claro que, naquele momento, Blatter não tinha mais força política no futebol internacional. Ele não agradava mais aos interesses das federações e confederações. Foi aí que Infantino e seu time de executivos rapidamente ganharam o apoio de mais de 100 nações (a FIFA, atualmente, tem 211 nações membros). O apoio cresceu, e a derrubada de Blatter foi tão fácil quanto fazer um gol sem goleiro.

Infantino agrada muito mais aos membros do clube. Na gestão atual, A FIFA passou a repassar para os seus sócios sete vezes mais dinheiro do que era feito na anterior. Na prática, é dinheiro primeiro, ética depois. Na propaganda da FIFA, a moral vale muito mais. Na propaganda, não se esqueçam disso!

O jogo de comandar a FIFA é interminável. Por isso zagueiros lutam para tirar a bola dos pés de Infantino (e também a caneta das mãos), alegando, por exemplo, que ele prega respeito e igualdade no futebol, mas mantém relações duvidosas com investidores perigosos. Como ocorreu em 2018, quando pediu ao Conselho da FIFA para assinar um contrato de US$25 bilhões com um fundo de investidores desconhecido. Ou melhor, cujos nomes deveriam permanecer em sigilo.

O conselho autorizou e o dinheiro entrou. É assim que as federações recebem mais e mais. Por essa forma de operar, Infantino atrai dinheiro, ganha apoio político e poder. Por outro lado, alimenta seus opositores que, em breve, o acusarão de beber da mesma água que seu antecessor, banido do futebol por seis anos.

O combate à corrupção é uma falácia. Uma propaganda sedutora. Para se manter à frente da fantástica fábrica de poderosos que é a FIFA, é preciso ser corrupto. Com o aval de federações e confederações, satisfeitas e saciadas quando o volume de dinheiro aumenta.

Mesmo diante de tantos perigos, Infantino durará muito no comando da entidade máxima do futebol. A FIFA sempre ganha a Bola de Ouro no quesito produção de poderosos. E lá, seus mandatos podem durar até 12 anos.