quinta, 05 de março de 2026
quinta, 05 de março de 2026
Cabo Frio
26°C
Magnauto
Coluna

Contra os patifes

05 março 2026 - 12h38

A alteridade é um conceito antigo presente entre nós desde a obra O Sofista, do filósofo grego Platão, no século IV a.C. Seu propósito é nos levar ao outro e a sua importância, sobretudo para percebermos e pensarmos a nós mesmos e o que fazemos. No futebol moderno a alteridade é mais caçada que ponta de lança em jogada de ataque. Reparem a força empregada na padronização dos jogadores, no modo de jogar, de comemorar gol, de dar entrevistas, de se posicionar.

Vini Jr. sofre com o racismo rodada após rodada. Para se defender, seus agressores lançam mão de argumentos torpemente sustentados pela postura diferente do craque em campo. Dizem que o brasileiro é abusado, debochado, irreverente. Dizem-se ofendidos por seus dribles, suas comemorações bailadas e sua postura de enfrentamento, de cabeça erguida, diante daqueles que o insultam. É o outro, o diferente, incomodando. Enquanto os iguais se dizem incomodados.

Os grandes craques da história do futebol se destacaram por características que justamente os distinguiam. Fizeram coisas diferentes, e por isso o tempo os individualizou impulsionando-os ao patamar de ídolos. Num futebol padrão FIFA, com estádios envelopados, equipes plastificadas e jogadores burocráticos em três vias, o que é inegável é nossa carência de craques. Porque o craque é o outro. O diferente!

Vini Jr. não entrará para o panteão dos grandes porque baila após cada gol. Mas já é um atleta diferenciado, que será lembrado como aquele que disse não ao racismo e denunciou os patifes, porque todo racista é isso, um patife!